de Mário Montanha Teixeira Filho
Estou onde sei que devo estar,
escuro o quarto do futuro,
incerta a hora,
cinza o céu da chuva que virá.
Estou perto da tua cara,
do respirar vindo de ti,
atrás do muro que separa
e do silêncio a revelar
o tempo que já terminou.
Estou aqui,
em busca de quem sou,
estou tão só que não percebo
se a liberdade é o que restou
ou se é a dor que suportei.
Estou vazio de paixões,
meus olhos seguem
a confusão dos teus passos,
enigma do pensamento,
e insistem e se enchem
de lágrimas.