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por Carlos Castelo

LIMA – PERU

Quando o Palmeiras enfrenta o Flamengo, todo brasileiro revive alguma tensão histórica. No meu caso, não é gol perdido nem pênalti duvidoso: é Lima. Eu tinha dezoito anos e ia para Orlando escoltando a irmãzinha de 12 durante alguns dias na Disney.

No meio da viagem, o avião pousou de emergência na capital peruana. A tripulação suava mais que jogador na prorrogação, e então veio a notícia numa sala da companhia aérea: só haveria novo voo dali a dois dias.

Antes que pudéssemos dizer “puxa vida”, surgiu aquele senhor que, num movimento digno de artes marciais, desferiu um chute num dos bancos de madeira. A peça voou. Ele ergueu os braços e gritou: “Brasileiros que vão pra Disney! Sigam-me!”. Resultado: quebraram o mobiliário todo com os pés.

Mas quando o funcionário da companhia anunciou “mil dólares por passageiro”, “hotel cinco estrelas” e “todas as despesas pagas”, o líder revolucionário fez uma transição ideológica mais rápida que a do Aldo Rebelo.

“Calma, gente”, disse ele, já acariciando uma lasca de banco, “vamos tentar arrumar isso aqui…”.

E assim, entre farpas e promessas de ressarcimento, Lima me ensinou que toda revolução tem um preço. E que, se for em dólares, todo mundo vira pacifista.

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