15:05LEROS

de Carlos Castelo

§ Após meses sem participar de lives e cercadinhos, Bolsonaro decidiu que era hora de se tornar um homem completamente diferente. Sua cela virou um santuário da erudição. Começou lendo Cervantes, Goethe. Passou por Kant, Nietzsche, chegou até Shakespeare.

Em noites frias ouvia sinfonias de Beethoven e Sibelius. Aprendeu idiomas e arriscou ler até alguns versos em latim.

Aos 97 anos, finalmente liberto e pintado com o verniz cultural, declarou com solenidade:

— Pronto, virei o Hitler.

A humanidade fingiu não escutar.
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