de Carlos Castelo
FLORIANO – PI
Às duas da tarde de uma sexta-feira embarquei feliz de São Paulo rumo a Teresina. Feliz é modo de dizer.
Primeiro, a caminho do aeroporto, a Marginal Tietê estava tão parada que dava pra plantar mandioca no acostamento e colher antes do trânsito andar.
Por fim, o avião decolou e tudo parecia bem. Até que, sem aviso, a aeronave resolveu dar um mergulho entre as nuvens. Foram setenta metros de queda livre e duzentos decibéis de grito coletivo. Eu juro que vi a alma de um passageiro levantar-se do corpo e pedir para descer.
Quando estabilizamos do vácuo, formou-se uma fila enorme para os banheiros. Fedentina e desespero pairavam no ar.
Ao chegar em Teresina, jantei um matrinchã com pirão e passei a noite no trono.
Na manhã seguinte, um primo me resgatou em uma picape para irmos até Floriano. De repente, em plena reta da BR, uma jaca despencou do nada e acertou o para-brisa.
Seguimos viagem sem os vidros, o vento batendo na cara, e o cheiro de jaca nos lembrando que o Brasil é um país tropical.
Até que um policial rodoviário, vendo o carro irregular, decidiu rebocá-lo. Fomos obrigados a pernoitar num vilarejo, onde os colchões tinham vida social própria. Passei a noite alimentando percevejos e pulgas com sangue tipo A+.
No dia seguinte, seguimos viagem de carona com um caminhoneiro. Quando finalmente chegamos, nada aconteceu em Floriano durante uma semana. Graças a Deus.
Esse Castelo é o cara.