de Carlos Castelo
SÃO ROQUE
Estávamos, meu primo mais velho Zé Renato e eu, na Festa do Vinho. A mesada tinha acabado dias antes, mas estávamos querendo tomar umas copas e comer um bacalhauzinho na brasa. Ele, como eu, já era um humorista júnior e possuía um arsenal de piadas excelentes. Fomos até a barraca de uma adega sanroquense e começamos a contar anedotas. Sem querer me gabar, mas muito show de stand-up contemporâneo não teria o nível daqueles nossos chistes. A gente performava, bebia, e os clientes riam, riam muito. No fim, os donos da adega não nos cobraram os tragos. Repetimos a façanha na barraca do bacalhau. A cortesia se repetiu. Naquela noite, voltando para casa, concluímos: se a vida te negar crédito, pague com piadas.