6:30Invasões bárbaras em Brasília

por Carlos Castelo

Aconteceu num reino chamado Brasílica, no oitavo dia do mês de Janus, no ano 2023 d.C. O povo acordava normalmente quando uma horda de bárbaros, conhecidos nas lendas como os Bolsonix, marchou sobre a capital intocada de Brasília.

A saga, escrita em pergaminhos de Telegram e papiros de WhatsApp, conta que essa tribo de nômades vestia fardas, camuflagem de loja de pesca e camisetas da seleção brasílica.

Comandados por generais autoproclamados, como o velho xamã Malafix, que se comunicava diretamente com divindades ianques, e o grande estrategista Bannonix, um feiticeiro do Norte que acreditava que democracia é apenas quando seu candidato ganha — os Bolsonix tinham uma missão: reconquistar o trono do imperador Jairtorix, o Mitox, que fora derrotado por um mago barbudo conhecido como Lulix 13.

A reação começou com caravanas vindas dos confins do reino: de ônibus, caminhonetes 4×4, charretes e motociatas. Guiados por oráculos do zap, acreditavam que uma intervenção federal mágica aconteceria se tocassem as paredes do Senado e gritassem três vezes a glossolalia:

– Alarabarashandarai, lererabassuria!

E assim chegaram os Bolsonix à Colina Sagrada dos Três Poderes, um lugar onde o povo comum raramente pisava, mas onde, nesse dia, os portões estavam escancarados como se esperassem por uma excursão escolar. Só que armada com barras de ferro, pedras, bastões e muita desinformação.

A investida foi tragicômica. Portando bandeiras enroladas no rosto como turbantes nacionalistas, os invasores escalaram rampas, destruíram vidraças e se sentaram nas cadeiras de ministros.

Um guerreiro anônimo, por nome Barrigueirix, defecou em pleno tapete cerimonial, proclamando:

– Morte à República!

As relíquias do templo, como a cadeira de Alexandre de Morax, o guerreiro calvo, foram profanadas por selfies e vídeos no TikTok com hashtags revolucionárias como #ForaPetralhada e #SaudadesDe64.

Mas como toda boa saga, logo surge a reviravolta. Quando tudo parecia perdido, e os Bolsonix dançavam nos espelhos d’água, eis que chegaram a Tropa de Chóquix e a Armada do Lacrimogêniux.

A batalha durou pouco. Muitos bárbaros, ao sentirem o primeiro odor de gás, clamaram pelo artigo 5º da Constituição que nunca leram. Outros pediram asilo político no banheiro do STF. Alguns tentaram invocar o nome de Malafix, mas ele estava ocupado realizando uma live para provar que Jesus votaria no PL.

Em poucas horas, os Bolsonix foram capturados e levados ao campo de detenção: a temida Papudax.

E assim terminou a tentativa de rebelião que não foi golpe, segundo seus próprios autores. Teria sido mais um passeio pacífico, patriótico com o fito de praticar a liberdade de expressão. O tumulto ficou marcado como 8 de Janus. Ou o Dia da Vergonha Alheia Revolucionária.

As relíquias foram restauradas, os tapetes lavados, e os deuses da Justiça, em suas togas, voltaram a julgar os invasores. Com calma, rigor e longos votos em PDFs de 600 páginas.

E quanto aos Bolsonix? Alguns ainda aguardam o retorno de Mitox. Outros descobriram o poder transformador do banho de sol coletivo. E um ou outro virou coach de resiliência no LinkedIn.

Foi o começo do fim da Idade Média Brasileira.

(Publicado na Fórum)

Compartilhe

One thought on “Invasões bárbaras em Brasília

  1. Serafim Olheiras

    Quem sabe ler, escrever ou perceber, entende perfeitamente o que está acontecendo no Brasil. Desde 2019 acharam uma fórmula mágica (nem tanto ) para perseguir opositores da direita e conservadores. Percebe -se que 2025 o tiro saiu pela culatra, às custas de inocentes presos, mortes e perseguições. Hoje os dossiês pipocam em busca da verdade contra seus idealizadores. O texto acima é a aleivosia barata do crime lesa pátria. Ode ao sectarismo dos imbecis cultuadores da esquerda inconsequente. Tudo tem saúda e efeito. E origem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.