de Carlos Castelo
FRANKFURT — ALEMANHA
Meu pai, o doutor Osvaldo, sempre foi um gentleman. Uma calma, uma elegância notáveis. Naquela nossa viagem de férias à Alemanha, em família, revelou-se um viés de sua personalidade que desconhecíamos. E o fato ocorreu em uma daquelas cervejarias germânicas com música ao vivo. Era um sábado de verão à noite. A orquestra tocava a clássica “Ein Prosit der Gemütlichkeit” em altos brados.
Um senhor, de faces vermelhas e visivelmente ébrio, logo se aproximou da nossa mesa e começou a insistir com minha mãe que dançasse com ele na pista. Dona Irací, sempre muito educada, tentava fazê-lo entender que não queria bailar com ninguém. Apesar da cena, meu pai não se alterou. Mas, quando o homem segurou o braço da patroa, ele se levantou calmamente, puxou as mangas da camisa para cima e aplicou um direto no queixo do tedesco, deixando-o nocauteado à beira do estrado.
A gerência levou o desmaiado para fora do recinto, e o baile seguiu como se nada tivesse acontecido.
Naquela noite a calma e a elegância também tiraram férias.