de Carlos Castelo
§ Enquanto multidões se aglomeravam para idolatrar Gilberto Gil, resisti mais uma vez à legitimidade social. Isso me faz um rebelde sem causa em um país de ovelhas, convencidas de que o simples ato de ocupar um assento numerado as eleva intelectualmente.
A classe média vive em constante temor do julgamento cultural de seus pares – uma casta que mede seu valor pelo acúmulo de ingressos rasgados e pulseiras desbotadas. Frequentar shows tornou-se menos uma questão de prazer e mais um ritual para validar a existência nas redes sociais.
É notável como a República dos Tolos estabeleceu que perder certas apresentações musicais é quase um crime contra a humanidade, enquanto permanecer em casa – economizando dinheiro e preservando a sanidade – é visto como um ato de heresia.
“E daí?”, me pergunto, enquanto a manada procura desesperadamente suas rochas para o apedrejamento simbólico. Se há algo que nossa democracia não pode tolerar, é o indivíduo que ousa não se importar com as mesmas obrigatoriedades que a maioria abraça com fervor religioso.