de Carlos Castelo
BURI – SP
Semana de Páscoa. Quis impressionar a namorada e a levei a uma pousada estrelada em Buri. Era tida e havida como local de beleza ímpar e alta gastronomia. De fato, era. O problema era a proprietária. Devia sofrer de algum TOC com os horários das refeições. Lembro-me de estar em um momento, digamos, prazeiroso, quando toca o telefone do quarto:
— Boa tarde, Carlos, o almoço está sendo servido. Hoje teremos tartar de atum vermelho com pérolas de maracujá e caviar de manjericão, paleta de cordeiro assada ao jus de hortelã…e entretantos.
E, enquanto eu ainda me recompunha, a senhora acrescentou:
— Não exigimos pontualidade, mas a experiência fica mais completa com os pratos na temperatura ideal.
Como houve um banho após a ligação, chegamos com os convivas já sentados às mesas. O olhar de reprovação da matrona foi indisfarçável.
Aquela fala ao telefone se repetiu em todos os desjejuns, almoços e jantares. Sempre com algum “peru laqueado com mel de laranjeira e cravo-da-índia”, seguido do arrogante “…e entretantos”.
Não nego que a estalagem era notável, mas saí de lá com gastrite emocional.