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por Carlos Castelo

PRAIA DO FORTE – BA

Estávamos eu e minha namorada — atleta, abstêmia e professora de ioga — dentro de uma das piscinas naturais da Praia do Forte, na Bahia. Pela manhã, havíamos visitado o Projeto Tamar. Coisa mais sublime ver as tartaruguinhas correndo em direção ao mar pela primeira vez.

Em meio ao nosso devaneio marítimo, surgiu um pescador manquitolando, com um gancho de ferro oxidado na mão. Lembrava um pirata da cambada do capitão Jack Sparrow. Agachou-se à nossa frente e cravou a fisga com violência na água. Mais uma vez, agora com um impropério:

— Morre, seu fdp!

Para horror geral, o cidadão puxou um filhote de polvo do mar. Jogou-o em um saco de aniagem e saiu mancando pela praia.

Horas mais tarde, no Bar do Souza, o prato do dia: moqueca de polvo. Era o que tínhamos para o momento e foi aceito. Após o repasto, Souza veio até nossa mesa asseverar que o molusco era fresquíssimo. Apontou para a porta e disse:

— Foi aquele pescador bem ali que pegou agorinha.

Era o pirata da cambada do capitão Jack Sparrow.

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