17:16FAUSTO WOLFF

Qualquer pesquisa jornalística demonstrará certamente que depois da Morte, Deus é a maior preocupação do homem. Erma Bombeck concorda que Deus criou o homem mas acha que ela faria melhor. Marlene Dietrich duvidava da existência de Deus mas dizia que caso existisse, era louco. O poeta W.H. Auden achava que estamos na terra para fazer bem aos outros mas declarava não saber porque os outros estavam na terra. Sobre Deus, disse Jack Kerouac: “Não sei, não importa, não faz a menor diferença”. Gerttrud Stein achava que não havia uma resposta, que nunca houve uma resposta e que jamais haverá uma resposta, sendo esta a resposta. Lili Tomlin e Jane Wagner acham que Deus sofre do Mal de Alzheimer e nos esqueceu há muito tempo. Arthur Koestler achava que ele desligara o telefone por tempo indeterminado. Irv Kupnicet perguntava-se que tipo de sociedade é a nossa que diz que Deus está morto e Elvis Presley está vivo. O ator Ralph Richardson, numa festa, fez o seguinte brinde: “Para Jesus Cristo, um belo sujeito”. Elayne Booster comenta: “O Vaticano é contra ventres de aluguel. Ainda bem que esta lei não existia quando Maria ficou grávida”. Finalmente, A. L. Prusick acha que todos nós já vivemos e morremos e estamos no inferno. Quanto a mim, caso ele exista, espero estar com a fatura pronta quando encontrá-lo. Não foi difícil ser um homem digno.


Uma das coisas que mais me chocaram na minha infância ocorreu quando fui visitar uma tia no hospital católico onde esta estava internada depois de uma operação. Enquanto minha mãe conversava com a irmã, fiquei zanzando pelos corredores e abri a porta de um quarto. Dei de cara com uma freira de joelhos, lambendo a pústula aberta do braço de outra mulher que estava na cama. Só mais tarde descobri que a freira-enfermeira era considerada uma santa. Santa ou não, era vítima da coprolognia. Para quem não sabe, é coisa de porcalhão ou de porcalhona. Tara de gente que se excita com sujeira, feridas abertas, tumores e um bom furúnculo de sobremesa. Às vezes me pergunto se esses puritanos idiotas que vêem uma mulher nua e dizem que é coisa suja, não são em verdade coprolognistas, todos eles. Desde que o mundo é mundo que existem neguinhos com a cuca torta que gostam, de brincar com cocô, xixi, vômito e outras porcarias. E já houve época em que esses tarados e taradas eram consideradas pessoas extremamente piedosas que se comoviam ao ver a miséria, a dor e o sofrimento. Alguns chegaram a ser santificados como Santa Margarida Maria Alacoque, uma freira do século XVII, cuja especialidade era limpar o vômito dos doentes… com a língua. Inocentemente, ela escreveu em seu diário, depois de usar a língua como pano de chão: “Senti um prazer tão indiscritível que desejei fazer a mesma coisa todos os dias”. Os leprosos — dizem as boas línguas — chegavam a fugir quando viam São João da Cruz se aproximar: “Lá vem aquele maluco pedir para lamber as chagas da gente”!

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.