de Carlos Castelo
“Lo bueno si breve, dos veces bueno”. (Baltasar Gracián)
Em um país como o Brasil, onde a política possui semelhanças com um bloco mela-mela carnavalesco, a compreensão de suas particularidades pede um olhar que transcenda a fria análise racional. É nesse cenário que os aforismos, como poemas de bolso, carregados de sabedoria popular, se revelam ferramentas valiosas para desvendar a alma dessa enigmática nação.
Através da brevidade e da perspicácia, o frasismo condensa, em poucas palavras, verdades nauseabundas sobre qualquer sistema político. Até mesmo o nosso. É como um raio X que deslinda as tripas do poder, expondo hipocrisias e jogando luz na inguinorança que astravanca o pogresso.
No popular: quem pensa que política tem a ver com ética, não conhece nem política, nem ética.
1. A França faz perfume, mas colônia é o Brasil.
2. Político só precisa de duas coisas para afastar você de sua carteira: língua e tempo na TV
3. Já fomos Estados Unidos do Brasil, agora somos Brasil dos Estados Unidos.
4. O Brasil se divide em duas classes: uma que tem mais dívidas que ócio, outra que tem mais ócio que dívidas.
5. Os melhores governos são os que não se iniciam.
6. Nossos pobres devem ser riquíssimos: eles pagam por tudo.
7. No Estado laico, a religião oficial é a burocracia.
8. Nosso problema não é o controle da natalidade, é o descontrole da mortalidade.
9. Tão anticapitalista que não comia almoço comercial.
10. Governar é administrar a coisa pública como se fosse uma privada.
11. Numa falocracia, só fala o falo.
12. Em Brasília, não se faz política. Compra-se feita.
13. O sábio pensa, o sensato pondera, o imbecil posta fake news.
14. Sabe o que é pior? Perderam a senha de wi-fi do Brasil.
15. Nunca se mentiu tanto, para tantos, e em tão pouco tempo.
*Publicado em O Dia