10:18A morte do amor

de Ticiana Vasconcelos Silva

Quantas vezes eu morri de amor e desse mesmo amor eu me refiz?
Quantas vezes o amor deixou embaixo de minha porta um envelope vazio?
O meu coração já é um velho marinheiro cansado, que ainda olha o horizonte sem saber para onde vai.
As cartas de amor que escrevo já não têm mais destinatário e voam ao vento em busca de um destino em que serão lidas e não serão apenas um poeta falando sobre o amor, mas o amor falando sobre um poeta.
Quantas vezes o amor passou em frente a minha porta e nem mesmo deixou um sinal?
Quantas vezes eu chorei por ver o amor se desfazer em minhas mãos?
Minha alma ainda canta baixinho e fala aos passarinhos que o amor nasceu e viveu em mim até mesmo quando o tempo desapareceu.
O amor é mais que amor e dói em mim até quando ouve o tilintar de uma gota de orvalho.
Morrer de amor até quando?
Até quando o amor deixar.

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2 thoughts on “A morte do amor

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