16:02ticiana vasconcelos silva

Essa tristeza
Que trago no peito
É uma saudade
E a certeza
De que este amor
Não se parte
É água que corre
É rio que sobe
É lua que some
É estrela que cobre
De luz a noite viva
E contida
Eu conto o segredo
Medo. Cedo ao ardor
Da angústia
Que diz uma só nota
Noto o esplendor
Da alma a chorar
Tudo o que não é
Como se fosse
E na bossa nova
Eu faço mantras
Da escuridão que vai
Idealizar a sua chegada
A escada que não tem fim
O parto de mim
O nascimento da manhã
Como uma longa premonição
Do que se fez com o mundo
E tudo é um tamanho pequeno
No meio há meios de findar
O que o começo relembrou
Um lago, um destemor
Um passo, o calor
Da sua língua que sorve
Toda o meu suor
Na cama que dorme
No leito da morte
Um sol fez órbitas
A escrever linhas tortas
No olhar maior
E olho o dia
Como aquela fantasia
De não viver para ser
Sou e sinto
Roubo e minto
Mas o que pinto
É o adeus
Mundo seu
Rumo ao léu
E nunca quis criar
Uma flor
Apenas fingi
A sua ignorância
E como criança
Pulo no azul
Somente eu
Me afasto e curo
Somente ele
É honesto e puro
Somente a canção
Vai direto ao fundo

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