No anexo que segue está toda a tramitação na área judicial sobre a acusação da coligação Brasil da Esperança e a defesa do Governo do Paraná a respeito dos disparos de mensagens ocorridos na semana passada onde se conclamavam apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e do governador Ratinho Junior a atitudes nada republicanas. A Algar Telecom, que presta serviços ao governo através da Celepar, identificou o usuário que entrou no sistema para disparar tais mensagens – que foram cancelas. O caso continua em aberto. A conferir:
Arquivo mensais:setembro 2022
9:48NELSON PADRELLA
Estava Liberpou comendo suas batatinhas tri-assadas quando Madame Anja adentrou o recinto amuntada no anjo de estimação, aquele que um dia ofendeu a Deus e virou no diabo.
– Ora viva então! – disse a angélica criatura. “Afinal decidiste a comer tuas batatas assadas. Lucifer, o fritador de Palácio, vai dar graças a Deus. Não aguentava mais de fritar batatas para ti e tu fazias olhar de Steve Wonder”.
– Não sabia que assava-as ele para mim. Soubesse, teria a mais tempo saboreado o petisco.
– Ora, Liverpou, mingana queu gosto. Quem mais se interessaria pelo assamento de batatas? Mas, come devagar, olha que vais ter um tróço. E pára de derrubar farofa na calça.
8:54Lama & Epigrama
de Carlos Castelo
PARADOXOS
O Brasil já foi feito por nós
Hoje, os nós é que fazem o Brasil
8:39SPONHOLZ

8:38Cadê o Requião trepidante?
Do Analista dos Planaltos
Há menos de uma semana pras eleições, o candidato Roberto Requião continua low profile. Nem parece Requião, Lembra o Gomyde.
8:34JORNAL DO CÍNICO
Do Filósofo do Centro Cívico
A cada eleição a gente constata que não tem candidato mais honesto do que ladrão que ficou rico.
6:59A VIDA COMO ELA É

Na Ilha do Mel, Paraná – Foto de Sonia Maschke
6:51O milagre terreno
O Gaiato da Boca Maldita leu a manchete “Qual é a estratégia de Bolsonaro para virar o jogo na reta final do 1º turno” e, primeiro, concluiu: “A Gazetona descobriu que o candidato que apoia está levando um surra”. Depois, ficou apreensivo com o que pode acontecer para que uma espécie de milagre terreno ajude quem prega “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”: “Podem botar as tropas nas ruas e para os eleitores do contra isso que está aí fiquem com as mãos na cabeça para uma revista geral – até que termine a votação, “.
6:39JORNAL DO CÍNICO
Do Filósofo do Centro Cívico
Sobre a campanha do Moro, sempre é bom lembrar que não existe nada pior para um péssimo produto do que uma boa propaganda.
6:37CIRCULA NA INTERNET
Se presencial fosse bom, Deus não trabalhava no Céu.
6:35MILLÔR
São três as análise básicas das “pesquisas de opinião”: Uma pra orientar os candidatos. Outra pra orientar os financiadores. Outra pra desorientar o público.
6:31A VIDA COMO ELA É



Fotos de Douglas Adelfo, Chicones e Ralf G. Stade
6:20E se deitássemos o Brasil no divã?
por Vera Iaconelli
Freud quis saber qual nossa participação no sofrimento do qual nos queixamos
Freud escutou Dora (Ida Bauer), uma jovem de 18 anos com sintomas histéricos, que se queixava ao pai das investidas de um homem mais velho. O pai fazia vista grossa, pois tinha um caso com a mulher do dito cujo.
O quatrilho formado pelo pai, pela mãe, pela amante do pai e pelo tiozão do pavê, que a assediava, a enredou no auge de seus questionamentos adolescentes sobre o amor, o sexo e sobre ser mulher. Coube à ela produzir os sintomas que permitiram que fosse escutada.
A genialidade de Freud aparece na forma como ele busca implicar Dora em seu próprio sofrimento. Pai cínico, mãe omissa, amante resignada e marido canalha usavam claramente a jovem em seu enredo amoroso mas, ainda assim, era fundamental que ela pudesse assumir qual parte lhe cabia nesse latifúndio. O que capturava Dora nesse jogo erótico e com o que ela se identificava ao permanecer nele? A chave para tirar o paciente do vitimismo, sem negligenciar o enredo do qual faz parte, é ajudá-lo a reconhecer para si mesmo o que ele fez com os limões que a vida lhe deu.
Rios de tinta foram derramados na discussão desse caso considerado fundamental nos estudos sobre histeria (dica: acaba de sair uma edição caprichadíssima dos cincos casos publicados por Freud: “Histórias clínicas: cinco casos paradigmáticos da clínica psicanalítica”, pela Editora Autêntica).
Mas, e se o paciente fosse o Brasil, saindo do lugar de bebezão deitado em berço esplêndido em direção ao divã? Imagino que chegaria ao consultório contando as infindáveis violências e injustiças que sofreu e sofre, capazes de fazer lacrimejar o analista mais experiente. Mas se fosse experiente mesmo, o analista deveria, como precondição para começar uma análise, implicar o Brasil em sua própria queixa. Fazê-lo reconhecer que o sintoma da qual se queixa foi construído, paradoxalmente, para esconder, mas também para denunciar, sua verdade.
O Brasil contaria a história de sua família, na qual o patriarca branco violenta a mulher indígena, mata seus parentes, para depois escravizar pessoas negras a quem violenta sucessivamente. Contaria da chegada de outros brancos, que mesmo não participando desse início, continuaram a se beneficiar dele e a reiterá-lo infinitamente. É uma história triste, que o paciente jura que é passado e que não tem nenhuma relação com a desgraceira da qual se queixa: violência, injustiça social, racismo, misoginia. Seja branco, negro ou indígena, o Brasil não quer saber como se formou sua família, porque os rastros dessa violência não estão longe, mas na mesa de jantar, à sua frente, hoje.
Ver-se implicado na manutenção do horror que se imputa ao passado é doloridíssimo, por isso o desejo de ser curado do sintoma vem com o pedido mágico de não ter que mudar nada. Mas se engana quem pensa que dá pra fazer esse arranjo com o sintoma e sair ganhando. O analista não tem como compactuar com essa fantasia, porque não há cura sem o confronto com a verdade. Assim como não há cura sem algum ganho de liberdade. O sintoma deve ser tratado, mas sua mensagem não pode ser apagada, sob pena de repeti-lo eternamente com outras roupagens.
Domingo o Brasil vai enfrentar seu sintoma-Bolsonaro e nada poderá deter a esperança e alegria em fazê-lo. Mas não podemos ignorar que ele é apenas o retrato das mazelas que insistimos em não encarar e que se renovam, como dizia Lacan, com nossa paixão pela ignorância.
(Em tempo: leve uma colinha decente para votar em senador, deputado federal e estadual. São eles que decidem os rumos desse país.)
*Publicado na Folha de S.Paulo
17:12SOLDA (Alceu Dispor)

17:07Praia em Curitiba vai sair do papel
O Gaiato da Boca Maldita leu no portal da rádio Banda B que “Obras de alargamento da areia chegam ao Pico do Paraná nesta terça-feira”. Ele pensou um pouco e imaginou que a propaganda da engorda da praia de Matinhos é uma coisa muito séria do governo de Ratinho Junior. Como o Pico Paraná é o mais alto do Estado e fica longe dali, o Gaiato começou a imaginar que o projeto que tiraram do papel é fazer o mar chegar a Curitiba.
16:58O culpado é…
Do Analista dos Planaltos
O candidato ao senado e ex-juiz Sérgio Moro anda descontente com o desempenho de sua equipe de marketing que, segundo ele, não trouxe nada de novo à sua campanha, razão pela qual a candidatura não decola nas pesquisas e continua amargando um segundo lugar, com possibilidade até, no pior dos mundos, ainda terminar em terceiro.
Não bastasse a decepção com o resultado no Paraná, também a campanha de sua esposa Rosângela Moro em São Paulo não empolgou. Moro, de novo, culpa o marketing.
Como toda moeda tem dois lados, o marqueteiro do ex-ministro tem dito que a vaidade exacerbada do casal dificultou seu trabalho. Os produtos que tem na mão requereriam um modelo a exemplo do que se faz com aquilo que não se pode mostrar muito. Quanto mais Moro fala e aparece, mais suas deficiências ficam evidentes e, por consequência, perde votos.
Já que a desculpa de que foi o PT quem teria lhe impingido uma derrota não tem colado, culpar seu marqueteiro parece ser a saída mais honrosa encontrada e capaz de afagar a gigantesca vaidade de Moro.
16:34OS ROBERTOS (José da Silva e Prado)


AS PALMAS
Dante, atravessando a pino a prima selva,
Fez amizade colorida com o canário belga.
A ave o levou no bico e ensinou vielas,
A cada carreiro um milho novo na moela.
Entre um e outro papo magro dos fantasmas
Eles riam de rolar a rampa da divina comédia.
Pena que o capeta aplaudia suas almas,
Mas, dinheiro que é bom, nem pra remédia.
16:13Tudo às claras
Da coluna de Carlos Brickmann
A empresa aérea Gol informou à Justiça americana que entre 2012 e 2013 pagou propinas no Congresso Nacional brasileiro para aprovar matérias de seu interesse. O valor das propinas ainda não se sabe. Mas a multa que a Gol aceitou pagar nos Estados Unidos é de US$ 41 milhões. Mais de R$ 200 milhões. E aqui, país em que ocorreu o pagamento das propinas: qual será a punição? Quais os parlamentares que enfiaram a mão no pudim? Há algum processo instaurado contra alguém por esse motivo?
15:36Caetano não aprendeu
Caetano Veloso, que era eleitor de Ciro Gomes, agora comanda um movimento para tirar votos do pedetista. A ideia é encher mais o balaio de Lula para terminar essa novela no primeiro turno. O baiano que mora no Rio de Janeiro justificou dizendo que Leonel Brizola afirmava que artista não dá voto, mas tira. João Gilberto, outro baiano, e gênio, sem dizer nada ensinava que artista só deve abrir a boca para cantar. Caetano não aprendeu.
15:11NELSON PADRELLA
Ermenevalda amanheceu com a cachorra. Maneira de falar.
– Assim não pode ser, Sassafrás. Você caiu muito nas pesquisas. Mulher não gosta quando homem vem com a pesquisa caidaça.
– São resultados feiques, Falácia (nome pelo qual madame era conhecida).
– Os números estão muito pequenos. Mulher não gosta quando são pequenos.
– Os institutos de pesquisa…
– Os resultados estão sendo minúsculos.
– Mulher não gosta quando é minúsculo. Nem precisa dizer, Efedrina.
– Precisa ser mais duro nas colocações. Mulher não quer saber de moleza.
– Êfe, o que eu posso fazer?
– Entrar com tudo.
– Não está dando mais, Fefê.
– Então pegue as batatas que Dermerval assou especialmente pra você, broxoso dos santos.