– Zeferina! Chispa aqui! Agora!
Quando madame falava com voz de madre de mil conventos, Xuxuxa vulgo Zeferina fazia nas calças. O que seria o caso, se estivesse de calças. Não estava. Vestia uma bela camisa de força verdamarela, mandada confeccionar pelos esbirros com os quais se cercava.
– Eis-me aqui aos vossos pés, divina musa cultuadora de pelos axilosos, ordene e obedecerei.
– Vai lá na farmácia e me compre um tampão.
Como o txutxuko fizesse uma cara de piá de primário que não sabe que nove noves fora é dez, a deusa esclareceu:
– Não é pra mim, que não faço uso dessas coisas. É para ti, Zeferina do Cerrado, que precisa de tampão porque teu barco está de casco arriado.
Imediatamente, o tchuco tchuco olhou para os os cascos e já ia soltando um meigo relinchar.
Dona Txchutxchuca ria a bom rir, abraçada ao seu demônio.
Arquivo mensais:setembro 2022
6:34MILLÔR
Quando os militares falam que não vão se meter em política, já estão se metendo.
6:22PARA NÃO ESQUECER

6:14Tome tento, eleitor!
por Célio Heitor Guimarães
O chamado “debate” entre os candidatos presidenciais, promovido pelas redes Bandeirantes/Cultura/Folha de S.Paulo/UOL, foi o que se esperava e acrescentou muito pouco ao eleitor. Os melhores desempenhos foram os de Simone Tebet e Ciro Gomes, como também já se esperava. Exposições claras, diretas, sem subterfúgios ou promessas mirabolantes.
Simone é ainda pouco conhecida nacionalmente, mas, quando lhe dão a palavra, convence e cresce. Sabe o que diz e tem coragem para dizer. Pertence a um partido esfacelado e repleto de cobras venenosas, mas tem a seu favor algo inédito na política nacional: um passado limpo. Por onde passou, deixou marcas de trabalho, inteligência e decência. Tem tudo para reunificar o Brasil e a certeza de que pode fazê-lo. Vai depender do eleitor, mas deverá ter o meu voto. Na pior das hipóteses, manteremos a consciência tranquila.
A opinião dos analistas, de uma forma geral, é idêntica. Quem esperava algo de Lula ou de Jair, surpreendeu-se com Simone. Segundo Chico Alves, da Folha de S.Paulo, “com fala serena e segura” (…), “foi Simone quem falou de orçamento secreto, maracutaia na compra de vacinas, misoginia de Bolsonaro, mensalão e petrolão. Ela foi a surpresa da noite”.
Ciro é uma boa opção. De igual modo, tem projeto de governo. E experiência na administração pública, onde, à parte dos rompantes de fúria, fez um bom trabalho. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Economia durante o governo Itamar. Saiu-se bem em todos os cargos. Incentivou as micro e pequenas empresas no Estado cearense, reduziu a máquina administrativa, diminuiu a taxa de mortalidade infantil, atacou os sonegadores de impostos e, na educação, conquistou, com o antecessor Tasso Jereissati, o prêmio Unicef, das Nações Unidas. Já disse e repito: é um nome a ser considerado. Gostaria de vê-lo no Palácio do Planalto.
Nunca tinha ouvido falar de Soraya Thronike antes de ela candidatar-se à presidência. É senadora por Mato Grosso do Sul em primeiro mandato, foi eleita no vácuo de JMB. É evidente que, por enquanto, a presidência é muito grande para o caminhãozinho dela.
Felipe D’Avila é o candidato do agronegócio, das privatizações e do capital. Jamais terá a simpatia do eleitor. Muito menos a minha.
Por fim, os líderes das pesquisas de intenção de voto:
Não houve nada que favorecesse o capitão no debate. Pelo contrário, ele mostrou apenas o que é: um trapalhão desatinado, vazio, sem obra e sem futuro, que odeia as mulheres, os pobres, os indígenas, os doentes, a educação, a cultura, o meio ambiente, as pessoas decentes, as instituições e, inclusive, governar. Não sabe o que diz e o que diz não se entende pela péssima dicção e a língua enrolada. No mínimo, é uma presença desagradável.
Lula continua o Lula de sempre. É um bagre ensaboado. Mas o seu discurso envelheceu e, à frente do seu PT velho de guerra, fez muito mal ao Brasil. Está na hora de se aposentar e ir viver os seus derradeiros anos de vida e de saúde ao lado da sua (dele) Janja. O que fez de bom e de ruim já está nos livros de História. E será difícil modifica-lo ou acrescentar alguma coisa. A hora é de entronizá-lo na sede do PT como oráculo. E fim.
Eu não seria capaz de igualar o capitão e o barbudo, pois estaria injuriando o segundo. Tenha ele cometido as irregularidades e os crimes que lhe atribuem e por cuja prática já foi condenado, ainda é muitíssimo superior ao primeiro. Pelo menos, é um ser humano. Mas creio que está na hora de ambos retirarem-se de campo. Há gente nova no gramado, que merece uma oportunidade de mostrar a que vem.
Restam 31 dias para as eleições. Espera-se que, desta vez, o eleitor pense um pouco mais no Brasil e nas consequências dos seus votos. Basta de ódio, basta de violência, basta de mentiras e de falcatruas. O futuro agradecerá.
6:12A VIDA COMO ELA É
Foto de Milton Nogueira
6:09“DIZEI-ME VÓS SENHOR DEUS ….”
por José Maria Correia
Mesmo com toda minha dificuldade e reconhecida ignorância em relação à compreensão da fé, tenho minhas crenças, não crendices, é claro.
Mantenho meu distanciamento crítico dos rigores dos dogmas , do celibato e das liturgias conservadoras
Sou um livre pensador que busco desesperadamente a fé, mesmo na relatividade e no desafio da ciência .
É uma forma simples de viver , fruto das minhas contradições.
Sempre em reflexões nos momentos interiores mais difíceis e conflituosos.
E assim em solidão , é que faço meus exercícios espirituais com orações, mantras e meditações.
Que no mais das vezes , são apenas silêncios profundos .
Onde me refúgios sempre liberto de restrições e de amarras.
Seja como filosofia , seja como busca , ou na tentativa do encontro com a espiritualidade.
É nessa linha que sigo o que aprendi com minhas referências -Dom Helder Câmara, com o padre e poeta telúrico Ernesto Cardenal, com o frei Leonardo Boff , com os reverendos James Wright e Elias Abrahão e com o Papa Francisco,
Gente bondosa como eles , pessoas que influenciaram o mundo adorando amorosamente Deus, como Martin Luther King , o bispo Desmond Tutu e o Mahatma Gandhi.
E insubmissos foram mesmo através da não-violência.
E da mesma forma e ao inverso, me horrorizo com os líderes religiosos da mais alta hierarquia e do luxo, que vivem na cumplicidade da pregação do ódio, do preconceito e do terror .
Que nos subterrâneos dos palácios celebram as mais tenebrosas transações .
Que perseguem as minorias com soberba e condenações.
Os charlatães , exploradores da ignorância e da miséria , que com seus ilusionismos vendem ingressos para as portas do paraíso para se tornarem milionários.
Os fariseus modernos , como aqueles que Cristo expulsou com chibatadas dos portais dos templos .
Na minha escolha fico sempre com os que buscam o cristianismo primitivo, a paz do budismo, o sincretismo das religiões dos afrodescendentes .
Os deuses da paz , das águas e das cachoeiras, dos elementos , do sol , da lua e do universo que todos contemplamos .
Da integração cósmica.
Desde os nossos povos indígenas das florestas.
Parece simples, mas não é .
As ditaduras se servem e se justificam no atraso das religiões e de seus falsos profetas.
Uma apropriação e uma aliança orquestrada no conservadorismo mais retrógrado.
Como foi no golpe da ditadura militar de 1964 no Brasil, no Chile , na Argentina e que vitimou tantos jovens padres e pastores que se opuseram e foram martirizados
Havia duas igrejas , as que estavam ao lado dos torturados e perseguidos , e os que estavam ao lado dos torturadores e perseguidores , as dos reis e das rainhas das diásporas e das inquisições..
Como hoje no lema,
“ Deus Acima de Tudo “
Mas que Deus será esse …
O das armas , de Pizarro e de Torquemada, de Franco e de Brilhante Ustra
O das hóstias dos choques elétricos.
Dos corpos desfigurados nas valas .
Dos Órfãos do Talvez.
Do escárnio dos que morreram sufocados por falta de oxigênio.
Não, certamente não
Esse é o demônio.
Aquele que o Frei Leonardo Boff descreveu como a encarnação do mal no ser humano.
A presença física sobre a terra do senhor das trevas,
Dos cavaleiros do Apocalipse, da fome , do frio e do medo.
Da corrupção que condena o povo à ignorância, ao desespero e à desesperança.
É esse tipo de demônio que estamos enfrentando hoje , o que surge com as milícias da morte , da violência e da crueldade.
Mas que haveremos de vencer
Com o fogo da paixão das boas causas.
As grandes massas estão se mobilizando com a revolta do organismo, do estômago vazio, do coração emocionado e do cérebro indignado , postos em um mundo e uma sociedade de privações.
Da agiotagem oficial .
Da entrega do solo , do subsolo e de todas as riquezas e valores da pátria.
Vivemos em agonia e no sofrimento dos que esperam .
Esperando deixar de ser vividos para passar à uma existência plena
De amor de solidariedade , de esperança e de fraternidade .
Que virá com a força das sementes da primavera
E com o despertar dos nossos sonhos e de nossas emoções.
6:08A VIDA COMO ELA É

Foto de Roberto José da Silva