
Em Curitiba, no pé de amora – Foto de Sonia Maschke

Em Curitiba, no pé de amora – Foto de Sonia Maschke
De Gabriel Baggio, em entrevista à BBC News Brasil, sobre o www.bolsonaro.com.br que comprou, publicou imagens e textos contra o presidente e foi retirado do ar
-Eu li leis, pensei em propostas de arte e, aos poucos, fui materializando a ideia de ter uma galeria de arte, porque é algo que eu gosto. Teve um tempo em que pensei que eu não fosse fazer nada, mas num dia eu me determinei a fazer e saiu meio rápido.
-Os textos são frutos de um acúmulo de quatro anos absorvendo asneira do presidente. Eu falei o que estava dentro do meu coração. Escrevi e montei o site com o que estava guardado no meu coração. Depois, só procurei notícias e vídeos que corroborassem com o que está escrito. Foi fácil. Foi uma catarse emocional.
– É muito triste isso partir do pessoal que se diz em prol da liberdade de expressão. Eles se vendem como defensores da liberdade, mas na prática estão querendo cercear o direito de expressão e a minha liberdade privada. O site é meu, não sou político. Perdi um parente nessa onda de covid e agora todo mundo tem tudo a perder. Estão indo atrás da minha empresa, da minha família. Vamos ver se eu tenho direito à liberdade de imprensa mesmo.
-Eu não esperava que haveria jornais me procurando. Também teve gente me chamando de petista ladrão. Sei que vão vir perseguir. Já teve tentativa de acesso hacker nas minhas contas e tem email que não consigo acessar mais. Disseram que vão me torturar. Eu sabia que eles iam latir. É a covardia do anonimato. Tem gente propagando o ódio.
-Eu pediria para os partidos serem cautelosos. Aconselho a políticos e partidos a não entrar em contato comigo. Eu só quero me manifestar como indivíduo. Não quero falar com eles. Eu quero deixar o preto no branco. Não quero navegar nessa zona cinzenta para não dar argumento a quem quer me prejudicar. Eu fiz tudo do meu cérebro e do meu bolso. Se vier uma enxurrada de processos, depois eu peço ajuda financeira para me defender.
-Se eu puder voltar às escuras depois, até prefiro. Fico feliz que tenha mais gente se manifestando sobre isso. Nossa sociedade depende da gente se manifestando sobre o que pensa.
A íntegra da reportagem: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62747114

Da Tarobá News
Justiça condena a prisão ex-vereadores de Londrina e mais 11 réus da Operação ZR3
A Justiça condenou 13 réus da operação ZR3, deflagrada em 2018, contra um grupo acusado de obter vantagens indevidas na aprovação de leis de mudanças no zoneamento urbano com a participação de dois ex-vereadores da Câmara Municipal de Londrina. A sentença do juiz Délcio Miranda da Rocha, da 2ª Vara Criminal, foi publicada nesta quinta-feira (31).
Entre os condenados estão os ex-parlamentares Rony Alves, que foi sentenciado a nove anos de prisão e Mário Takahashi, com pena de mais de sete anos de prisão, Ele, na época, ocupava o cargo de presidente da Casa. Além deles, também foram condenados ex-secretários municipais, ex-servidores da Prefeitura e empresários.
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em janeiro de 2018. O Ministério Público denunciou 13 pessoas, por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva. Conforme a denúncia, os ex-vereadores seriam os líderes do esquema. Continue lendo
Do Filósofo do Centro Cívico
É de se imaginar o que o dono do domínio www.bolsonaro.com.br ouviu quando a diretoria da empresa se reuniu para conversar sobre a encrenca que ele arrumou: “Que papelão!”
https://www.youtube.com/watch?v=YBYsDEwVvkE
Recebemos a seguinte “nota de esclarecimento” de Mario Renato Mota Thomaz, diretor presidente Bras-Onda Papelão Ondulado Ltda
Bras-Onda e o período eleitoral
A Bras-Onda Papelão Ondulado Ltda vem a público esclarecer que não possui qualquer relação, direta ou indiretamente, com o site www.bolsonaro.com.br e muito menos compactua com o conteúdo veiculado pelo referido site.
O envolvimento e a manifestação política de pessoas que tiveram qualquer tipo de vinculação com a Bras-Onda Papelão Ondulado Ltda como sócios, administradores ou colaboradores é de responsabilidade individual e não representa o posicionamento institucional da Bras-Onda Papelão Ondulado Ltda.
Necessário esclarecer, ainda, que a Bras-Onda Papelão Ondulado Ltda, seus sócios e administradores não apoiam e nem apoiarão nenhum partido político, coligação, candidato ou campanha eleitoral e, muito menos, qualquer iniciativa visando difamar ou caluniar qualquer partido político, coligação, candidato ou campanha eleitoral.
Reafirmamos o compromisso com a pluralidade de opiniões e o diálogo democrático em torno de temas fundamentais para o avanço do nosso país, o qual se exterioriza em nossa atuação cotidiana transparente e apartidária há quase 30 anos.
O site bolsonoro.com.br foi retirado do ar por ordem do ministro da Justiça. A Polícia Federal vai abrir inquérito para apurar o que foi descrito como “ataque direto e grosseiro ao presidente Jair Bolsonaro”. Segundo a Folha de S.Paulo (ver abaixo), foi um empresário do Paraná que arrematou por R$ 20 mil o domínio que antes pertencia aos Bolsonaros e servia para divulgações de ações do governo. No dia 11 de agosto houve atualização do conteúdo e deu no que deu, incluindo imagens que retratam o presidente como Hitler e o diabo. Como aqui foi publicado, o site Forum revelou quem comprou o domínio foi Gabriel Baggio Thomaz, que vai ter de se explicar aos federais. Continue lendo
Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto.

Martha Graham – Foto de Nickolas Muray
Do enviado especial
Houve um tempo em que os candidatos respeitavam a lei e evitavam fazer campanha eleitoral em horário de expediente. Como o Brasil virou isso que está aí, vale tudo. Bolsonaro nem se importa, mas o governador Ratinho Junior até mantinha certa compostura. Ontem ela foi jogada no Viaduto dos Padres, como dizia o jornalista Hélio Teixeira quando observava alguém abandonando princípios civilizatórios.
… A castração química de estupradores e pedófilos é prima da lobotomia de assassinos e infratores; irmã da esterilização de moradores de rua e drogados e tia do troque o feminicídio pelo homicídio, armando a mulher com uma pistola. A castração de estupradores é parente distante da pena de morte… (Fernanda Torres) Continue lendo

Em Curitiba – Foto de Lineu Filho
Se a campanha de Ratinho Junior tirou do ar uma propaganda de Roberto Requião, do outro lado está pronta uma série que contesta uma série de informações divulgadas pelo governador que inclui números de empregos, obras realizadas, etc. Tudo na mesma linha do ataque desferido: informação inverídica. A começar pela famosa segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai, muito usada em imagens e que é apresentada como se fosse obra do governo do estado – que não é, pois o dinheiro saiu dos cofres da Itaipu Binacional. A pancadaria será protagonizada em sua maioria pelo deputado Requião Filho. Isso é campanha. A conferir.
O Gaiato da Boca Maldita ouviu ontem no seu reduto:
De Ratinho Junior: “A maior votação do Brasil para o Bolsonaro vai ser do estado do Paraná”.
De Jair Bolsonaro: “Ratinho Junior tem um grande futuro pela frente, é um homem de projeção nacional, amadurece e se prepara para esse desafio”.
Depois que a plateia aplaudiu muito e a festa acabou, ele entrou no famoso café e pediu chá com porradas – para aprender a não entrar mais em frias como essa.

Do enviado especial
O juiz auxiliar Roberto Aurichio Junior, do TRE, acatou representação da coligação que apoia Ratinho Junior e proibiu a veiculação do candidato do PT sobre as tarifas de água e luz que ele afirma ter congelado por 8 anos. Alguns trechos da decisão:
“Da veiculação apontada, extrai-se a propagação de conteúdo sabidamente inverídico”
Destarte, saliente-se que a desinformação extrapola os limites do debate político, bem como, afronta a paridade entre os candidatos. No mais, a desinformação também cria estados emocionais e mentais visando a alteração da opinião pública com relação aos temas supra citados.
1. proibir a veiculação na televisão, da propaganda eleitoral gratuita reproduzida no Bloco das 20h45-20h55 do dia 29/08/2022, e reiterado no bloco das 13h15 às 13h25, desta data, no pool das emissoras;
2. que os representados procedam a imediata suspensão das publicações veiculadas pelos representados nas suas contas nas redes sociais Facebook, Instagram e Tik Tok.
3. que os representados se abstenham de republicar referido conteúdo em outro link dentro das mesmas redes sociais, as informadas no registro de candidatura, ainda que por intermédio de outro perfil, bem como em quaisquer outros meios de comunicação social, tudo sob pena multa diária, que fixo em R$5.000,00 (cinco mil reais), em caso de descumprimento, aplicável aos representados, de forma solidária.
Não sei com vocês. Mas, comigo, acontece um fenômeno curioso. Certas personalidades, mesmo eu não tendo sequer passado perto delas, são como íntimas para mim. Tipo um primo, uma cunhada, um vizinho de porta.
O Gilberto Gil é um deles. Conheço desde criancinha, sem conhecê-lo. Sei o que ele gosta de comer, os momentos preferidos para compor suas canções, o que o incomoda – e são tão poucas coisas. Um fofo, o Gil. E como gosta de socializar, nunca se cansa de dar atenção a quem o procura. O oposto de Roberto Carlos. Ah, esse, que também nunca vi nem em sonho, mas estou por dentro dos modos, é um arredio. Naquela casa enorme curte um pouco a solidão, só sai para acelerar seus carrões na estrada de Santos. Porém, até tal hábito tem rareado desde que ficou sem gasolina no meio da rua. É óbvio que ele nem supõe quem sou, contudo, como todo bom amigo, o teria ajudado a buscar combustível no posto mais próximo.
Outro que tenho como um tio é o Millôr. Naturalmente, nunca frequentei seu apartamento, em tempo algum entrei em seu estúdio, nem joguei frescobol em sua companhia. Mesmo assim, posso dizer que há entre nós uma química qualquer. Muitos dizem que o fato se dá por eu ter lido inúmeros textos de sua lavra. Não concordo. Meu relacionamento com o guru do Méier vai além do literário, mesmo ele nunca tendo ouvido falar do meu nome.
Mário Quintana, com quem não me encontrei, ou troquei cartas, concordaria comigo. Assim como, Guimarães Rosa, Manoel de Barros e Lygia Fagundes Telles. Jamais nos sentamos numa mesa de bar, em volta de drinques, mas sinto como se tivéssemos tomado vários pilequinhos juntos. Manoel, claro, com seu uísque; Lígia e Rosa no vinho branco.
O mais interessante é que também tenho inimizades com quem desconheço, mas conheço. Brigo muito, em especial com Oswald de Andrade. Como escrevo humor, costumo me ofender mais facilmente quando alguém é irônico comigo. O debochado sou eu, não o outro. Os que tiveram proximidade com Oswald, o que não é meu caso, sabem o quanto ele foi sarcástico. Provocava até seus pares, como Mário de Andrade. Eu não era vivo na época do Modernismo, claro. Entretanto, tenho ganas de sacudir o autor do “Manifesto Antropofágico”, ainda que o Waldinho seja conceitualmente um grande camarada meu.
Noite dessas me lembrei do amigo Freud. Se é o que está pensando, leitor, não privei de seu convívio. Em termos temporais, nem seria possível. Mas, o conhecendo, como o conheço, sei que ele me diria, cofiando seu arrogante cavanhaque: “Carlos, seria bom você trabalhar sua onipotência voltando à psicanálise”.
Amigos têm defeitos, como todos. No Sigmund, por exemplo, a mania de querer, por qualquer motivo, jogar todos num divã é algo que irrita por demais. Além daquele seu vício horrível em cocaína. Amigos, é sabido, são para se guardar do lado esquerdo peito. Então, eu te perdoo, Sig.
*Publicado no Estadão


Em Curitiba – Fotos de Lina Faria