De um indignado amigo blog:
Cerca de 45 milhões de brasileiros têm alguma deficiência física. Espero que eles e suas famílias, no dia da eleição, lembrem do discurso de 7 de Setembro do Bolsonaro, quando chamou seu adversário de “nove dedos”.
De um indignado amigo blog:
Cerca de 45 milhões de brasileiros têm alguma deficiência física. Espero que eles e suas famílias, no dia da eleição, lembrem do discurso de 7 de Setembro do Bolsonaro, quando chamou seu adversário de “nove dedos”.
Do blog Boca Santa, de Sid Sauer
Em campanha de reeleição, o senador Alvaro Dias esteve nesta quinta-feira em Campo Mourão. Na Comcam, disse que não fez oposição ao governo Bolsonaro. “Muito pelo contrário, apoiamos o governo”, frisou, falando em “solidariedade” devido ao drama da pandemia. O senador disse também que, se reeleito, não pretende fazer oposição. “Precisamos sair desta crise”, explicou.
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Eu sofro de mim fobia
Tenho medo de mim mesmo
Mas me enfrento todo dia

Maria – Foto de Tarsila Faria e Silva
de Carlos Castelo
A UNHA E A RAINHA
É claro que não conheci Elizabeth II. Mas me lembro bem do dia em que ela veio a São Paulo para inaugurar o MASP. Foi numa sexta-feira, 8 de novembro de 1968.
Eu estava na quinta série, num colégio que beirava as obras do que seria a avenida 23 de maio. Naquele local, eu e mais alguns colegas, costumávamos bater uma bolinha no chão de terra. No recreio, descíamos um morro íngreme, ao lado do atual viaduto Engenheiro Antônio de Carvalho Aguiar. Nunca tivéramos problemas ali. Dávamos nossos chutes e, quando batia o sinal, retornávamos à base. No dia em que Beth passou de Rolls Royce pela cidade, as coisas azedaram para o nosso lado. Vieram um monte de funcionários da obra e nos botaram para correr. Creio que por ordens superiores, a fim de deixar tudo nos conformes para a passagem de Sua Alteza. A coisa não foi nada amistosa, me lembro inclusive de, no afã de subir o morro de volta à escola, ter perdido uma unha da mão. É natural que o desagradável episódio tenha ficado marcado como algo ligado a Sua Majestade. Sempre tive antipatia pela figura de Beth. A coisa piorou quando, já adulto, visitei o castelo de Windsor. A ala gigantesca, reservada à sala de brinquedos da nobre menina, me deixou perplexo. Nunca me esqueci de uma boneca, presenteada à ainda princesa por um marajá indiano, cujos olhos eram de diamantes. Coisa de filme do Chucky. Beth representava povos que desejam ser governados pela aristocracia. Não admiro, porém, aceito. Mas perder minha unha por causa da matusalênica senhora, além de não aceitar, ainda esconjuro.
JOVEM APRENDIZ
Aos 73 anos, príncipe Charles começa hoje em seu primeiro emprego.
SENRYU
com Viagra mastigável
e Cialis longa ação
todo mundo é imbrochável

Foto de Roberto José da Silva
por Renato Terra
A dor de cabeça do dia seguinte ao Sete de Setembro
Um dia depois da festa da Independência, o país acordou com uma enxaqueca insuportável. Não há cloroquina que cure.
Quando se chega a uma certa idade, a coisa se agrava. Já não se sabe mais se os sintomas são de ressaca ou de chikungunya.
Num país rachadinho ao meio, a ressaca foi democrática. Atingiu todo mundo.
De um lado, um Brasil acordou com dores na alma. Arrebatado por um sentimento de que teve seu patriotismo sequestrado. Que viu nossas cores, nossa religiosidade, nossa Copacabana serem reduzidas a um projeto de poder violento e autoritário. E que o pedido de resgate chega na forma de chantagem.
Um Brasil que viu o bicentenário da Independência esfregar nossas dependências seculares nas nossas caras. Dependência dos empresários simpáticos ao governo. De transformar o público em privada. Dependência do pão e do circo. De virilidade paternal de um imperador cujo coração
sem vida boia no éter (não estou falando de dom Pedro). Dependência de superfaturar Viagra para bater no peito e, sem auditoria, dizer com orgulho que é “imbrochável”.
A ressaca de um Brasil que viu um projeto de futuro ser trocado por uma tétrica mitificação do passado. Que viu o porte de arma ser mais importante que a vacina. Que patina em vão para encontrar racionalidade num hospício.
Mas, como escrevi, é um país que acorda rachadinho. O Brasil do outro lado acorda numa ressaca de 51. Não a cachaça, mas a enxaqueca incurável pelos 51 imóveis pagos em dinheiro vivo.O Brasil que gira em círculos preso num transe de ayahuasca entoando um mantra. Que apenas repete, repete, repete. Emula, imita o que o mito mandou. E nesse mantra defende o indefensável. Que pode dizer que é qualquer coisa, menos independente.
Mas é um Brasil que acorda numa ressaca ainda pior. Como se tivesse misturado ayahuasca com uma garrafa de 51 (agora sim a cachaça).
É pior a ressaca porque essa metade do Brasil acorda com a boca seca e saliva oculta. Com cem anos de amnésia alcoólica. Com uma dor de cabeça de rachar a cuca.
Além de uma fadiga democrática incurável. Uma perda de apetite eleitoral. O corpo mole e o vazio no peito de quem sabe que seu Brasil rachadinho não vingou. E que a festa foi de despedida.
*Publicado na Folha de S.Paulo

de Manoel de Barros
Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
dependimentos demais
e tarefas muitas —
os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não que as moscas iriam iluminar
o silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
que as moscas não davam conta de iluminar o
silêncio das coisas anônimas —
passaram essa tarefa para os poetas.
Viu? A rainha Elizabeth morreu. E o filho agora tem nome de cantor: Rei Charles. (Zeca Corrêa Leite)

Na cozinha do Hotel Espanada os demônios todos da coleção de Madame estavam em festa. Uns gritavam “entrouxáveu”, outros gritavam “Jaga Enhou”, enquanto os mais safadinhos, queridinhos de Madame, emendavam ” O que Luzia ganhou na horta”. Ela ezultava de sastifação, vibrando pela atuação porreta dos seus anjos. Daí, chegou o aniversariante. Até foi Satanázio, sempre tão puchasaco, que gritou;” E pro aniversariante, nada?” E já teve quem – acho que foi Belzebufalo, sempre tão prestativo – que adentrou com uma gamela de batata assada.
por João Batista Natali, na FSP
Discreta, soberana deixa como maior legado preservação da confiança na monarquia; Charles deve assumir o trono
A rainha Elizabeth 2ª, que por sete décadas ocupou o trono britânico e se tornou um símbolo da monarquia em todo o mundo, morreu nesta quinta-feira (8), aos 96 anos. Seu filho mais velho, o príncipe Charles, deve sucedê-la no trono.
A morte foi confirmada pelo Palácio de Buckingham depois da informação de que ela estava sob cuidados médicos e que a família mais próxima havia sido chamada a Balmoral, na Escócia, onde a rainha passava o verão. Dias antes, em uma de suas últimas aparições, Elizabeth deu posse à nova primeira-ministra britânica, Liz Truss. Segundo comunicado oficial, ela morreu em paz; a nota chama Charles de rei e sua mulher, Camila, de rainha consorte.
Preocupações com sua saúde vinham se avolumando havia meses, principalmente desde que ela passou uma noite no hospital, em outubro de 2021, por motivos não totalmente esclarecidos pela monarquia. Desde então, a rainha chegou a cancelar a participação em diversos eventos públicos —inclusive alusivos à celebração de seu Jubileu de Platina— e mesmo virtuais em decorrência de “problemas de mobilidade”.
Em fevereiro de 2022, ela chegou a receber o diagnóstico de Covid-19, mas se recuperou.
Elizabeth passará para a história como a soberana britânica de mais longo reinado. Em julho de 2015, ela superou os 63 anos e cinco meses de trono da rainha Vitória (1837-1901), cuja coroa, no entanto, tinha um peso bem maior de um imenso império colonial, hoje não mais existente.
Em 1992, em discurso comemorativo aos 40 anos de sua coroação, afirmou que aquele ano fora um “annus horribilis” (horrível, em latim), referindo-se aos divórcios quase simultâneos do príncipe Andrew, seu segundo filho, com Sarah Ferguson, e da princesa Anne, sua única filha mulher, com Mark Phillips.
Wallace Requião, irmão de Roberto, candidato ao governo do Paraná, usou as redes sociais para divulgar informações que o restante da família não só desmente como não quer nem ouvir falar. O texto, enorme, era sobre problema de saúde do ex-governador. Expressionante!
O TRE do Paraná indeferiu pedido do PT para que Sergio Moro não usasse o termo juiz no material de campanha. Do termo ministro (de Bolsonaro) o candidato ao Senado foge como o diabo da cruz.

Em Curitiba – Foto de Lineu Filho
Campanha é assim mesmo! Circula no tal de Tik Tok vídeo em que o apresentandor Carlos Roberto Massa, o Ratinho, pai do governador do Paraná, pede votos para o filho e detona a chamada “elite branca curitibana” porque o candidato é a favor dos pobres, etc. Para reforçar, Ratinho diz que o filho tem apoio “do meu amigo presidente Lula e da presidente Dilma”, hoje inimigos de Jair Bolsonaro, o amigo da vez dos Ratinhos. Ao ver e ouvir isso, um sábio do Centro Cívico cravou: “Mais dia, menos dia, você se torna escravo das palavras ditas”.
Um curioso pesquisou os candidatos ao governo no Paraná é cravou: Paranavaí é a capital da esquerda no estado. Isso porque são de lá os candidatos Adriano Teixeira, do Partido da Causa Operária (PCO) e Professor Ivan, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Então, tá.
Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade. (Stanislaw Ponte Preta)