Arquivo mensais:setembro 2022

10:55Um fio pro Prado

de Nelson Padrella

Bati um fio (maneira de dizer, que hoje não se usa mais fio), bati um fio, dizia eu, ao amigo Prado, que mora na Zona Sul.
– Alô, Prado.
Uma voz me responde:
– Sinto, o aloprado não pode atender agora. Está conversando com as emas.

10:24Tempos perigosos

Vivemos em tempos perigosos. Nossos exércitos são poderosos e gastamos bilhões de dólares por ano em novas prisões, no entanto, nossas vidas ainda são governadas pelo medo. Somos como anões perdidos em um labirinto. Nós não estamos em guerra, estamos tendo um ataque de nervos. (Hunter S. Thompson)

10:11Sem idade

Já perguntaram a Roberto Requião se, em caso de derrota dele no Paraná e vitória de Lula para presidente, ele aceitaria assumir um ministério. A resposta: “Não tenho mais idade para ser mandado!”

8:39Silvestri com Moro

Se alguém pensava que Cesar Silvestri Filho fosse se recolher para meditar depois de as candidaturas dele para o governo do Paraná e Senado terem se evaporado. erraram. Uma tricotagem rápida nos bastidores colocou o tucano com força na campanha do ex-juiz Sergio Moro, do União Brasil. Quem o conhece diz que está entusiasmado. Isso é política!

8:29JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

Moro terá de pagar R$ 10 mil ao músico da imagem que usou irregularmente na campanha, mesmo porque o músico é petista. Tudo dentro das regras eleitorais, mas o que se pergunta é onde foi parar o trompete.

7:46O jogo duplo de Ricardo Barros

O Antagonista

Apesar de apoiar oficialmente a candidatura de Paulo Martins (PL) ao Senado no Paraná, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), liberou um de seus principais aliados, o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), para apoiar o senador Álvaro Dias (Podemos).

Desafeto de Jair Bolsonaro, Dias vem construindo apoios que aglutinam tanto eleitores de direita quanto petistas. O atual senador tem apoio formal do PSB e petistas no Paraná estão estimulando o voto útil em Álvaro Dias para tentar barrar o projeto político de Sergio Moro no Estado, que também disputa o Senado.

7:41O mapa da fome

Enquanto isso, no Mapa da Fome, Alagoas, terra de Arthur Lira e Fernando Collor de Melo, é o estado que tem o maior percentual do país de pessoas que não têm acesso a alimentos em quantidade suficiente. Neste triste ranking, atrás vem o Piauí (34,3%), Amapá (32%), Pará (30%), Sergipe (30%) e Maranhão (29,9%). A média nacional é 15,5% (33 milhões de esfomeados). No outro extremo estão estão Santa Catarina (4,6%), Minas Gerais (8,2%), Espírito Santo (8,2%), Paraná (8,6%) e Mato Grosso do Sul (9,4%).  Confira: Continue lendo

7:06NELSON PADRELLA

Enquanto isso, nel casarón donde habitam los demónios…
– Que que tens que fuçar lá na Inglaterra, ô metidinho? A rainha te convidou para o enterro?
Satanás correu em defesa do amo.
– Convidou, sim. Até chamou ele de Jair Alça de Caixão. Ouvi ela dizer “Eu quero esse menino segurando nas minhas alças”.
– Você é o rei da mentira. Foi o Putinh quem disse: “Não quero esse cara pondo a mão nas minhas calças”.
– É a mesma coisa, santa – disse o demônio. E acrescentou:” Se não tem alça vai de calça”. Ele gosta de rimar o que diz. Outro dia, foi falar democracia, falou Ustra”.
A santa emputeceu-se:
– Pois não vai viajar e nem abrir seu coração para a dama da Inglaterra.
– Mesmo porque – disse o diabo em pessoa – o coração ele já comeu junto com batatinhas levemente esturricadas.

6:55LEROS

de Carlos Castelo

§ Pobre presidente. Se não se reeleger, aos 67 anos, não terá mais nada a fazer na Terra. Terá de se recolher, interromper a vida pública, passar a ser um impotente, dias depois de ser aclamado como imbrochável. Para demonstrar sua delicadeza, ele ainda proferiu uma palavra nunca ouvida em seu mandato: perdão. Pediu perdão por ter dito que não era coveiro, num dia em que morreram 300 brasileiros de Covid. Só os grandes pedem perdão. Como nosso pobre presidente nunca foi, nem será grande, mais uma vez mentiu. E, por causa disso, é provável que o eleitor indeciso não o perdoe.

§ 685 mil mortos por Covid, zero visitas aos túmulos das vítimas. Uma morte de rainha por causas naturais, confirmada ida ao enterro. Entendeu o que é necropolítica?

6:38Em Londres e NY só há riscos

por Elio Gaspari

Bolsonaro viajará para pousar em campo minado

Fosse qual fosse o plano de Bolsonaro para o 7 de Setembro, a pesquisa do Ipec revelou que deu errado. Seja qual for o plano anexo às suas viagens a Londres e Nova York, tem tudo para dar mais errado. Em Londres, será recebido cordialmente, mas para quase todos os chefes de Estado presentes ao funeral de Elizabeth 2ª, ele será uma companhia radioativa. Ninguém ganha aproximando-se dele.

Isso em Londres. Em Nova York, na Assembleia da ONU, a coisa piora. Os militantes de organizações ambientalistas crescem ao hostilizá-lo. Como deverá discursar, o que já seria ruim, piora. Se ele repetir a retórica anterior, soprará as brasas de um eleitorado hostil à sua política ou ao seu triunfalismo irracional. Se abrandar a fala, ficará mal com os agrotrogloditas.

Como disse Fernando Gabeira, diante dos números do Ipec “o jacaré bocejou.” No entorno de Bolsonaro sonhava-se com uma redução da distância entre ele e Lula. Aumentou.

O 7 de Setembro de Bolsonaro queimou óleo. Não foi coisa dos marqueteiros, pois eles recomendavam moderação. O presidente aceitou o conselho, mas o capitão saiu da pauta com uma tirada vulgar, factualmente desmentida pelo próprio Bolsonaro numa entrevista à falecida revista Playboy, em 2011.

Seus colaboradores explicam que ele às vezes é capaz de aceitar argumentos racionais, mas seu fusível queima em momentos de empolgação. Assim foi no 7 de Setembro com a vulgaridade. Mesmo que ela não tivesse acontecido, horas antes, no Alvorada, ele disse que 1964 “pode se repetir”. Sabendo-se que os presidentes são julgados pelo que fazem em pé, essa fala foi mais tóxica.

Bolsonaro foi o único militar da reserva com patente de capitão que se elegeu presidente da República. Antes dele, dois oficiais-generais perderam três eleições. O brigadeiro Eduardo Gomes, duas vezes, e o marechal Juarez Távora, uma. Nenhum dos dois contestou os resultados. Mais: nenhum dos dois fez isso antecipadamente.

Como tal, 1964 não se repetirá em 2022. Admita-se um cenário apocalíptico. Bolsonaro perde a eleição, não aceita o resultado e segue-se uma quartelada. E aí?

Bolsonaro não é um Castello Branco, nem mesmo um Costa e Silva ou Emílio Médici.

Castello colocou Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões no comando da economia. Costa e Silva pôs Antonio Delfim Netto e Médici manteve-o. Bolsonaro poria quem? Paulo Guedes?

Em 1964, junto com Castello Branco subiu ao poder uma parte de uma elite conservadora conectada internacionalmente e respeitada no país. Seu ministério entrou em campo chutando para o gol. Castello exonerou o irmão que aceitou um automóvel de presente. Costa e Silva fritou-se quando seu sogro conseguiu uma aposentadoria esquisita. Os militares que fizeram 1964 tinham um projeto autoritário, porém modernizador.

No Brasil do século 21, com um presidente acicatado pelas “rachadinhas” o caminho de 1964 não existe. Existe outro.

Imagine-se um coronel audacioso disposto a romper com a elite que não o apoia, a encher a administração civil com militares amigos, sobretudo na estatal petrolífera e com planos econômicos desconexos temperados por lances demagógicos. Ele existiu, chamava-se Hugo Chávez.

*Publicado na Folha de S.Paulo

18:26Homens brochosos

Pois saibam todos os maledicentes que eu pretendia apenas lembrar o nome do grande general Reinaldo Joaquim Brochado de Carvalho, partícipe da campanha na Itália por nossa Força Expedicionária, quando pus-me a gritar, desvairado, “imbrochável, imbrochável…” É de homens assim que o Brasil precisa, honrados, brochosos, patriotas. (Nelson Padrella)