Arquivo mensais:setembro 2022

18:46Pisando em praça de guerra

de Siba

16 de fevereiro
Data de meu nascimento
Soprou naquele momento
No mundo um vento maneiro
Eu nu, pequeno e roceiro
Chorando de sede e fome
Papai me botou um nome
Mamãe me abraçou primeiro

E um doutor falou ligeiro
Depois que eu tinha chorado
Esse nasceu tarimbado
Pra ser mestre cirandeiro

Cantando eu trago o trator,
O ferro, a pedra, a madeira,
O guindaste, a britadeira,
O prego, o martelo, a lima,
Quem de mim se aproxima
Vê mil homens trabalhando
Sangue, suor derramando

Pra construir com estima
Um edifício de rima
Todo de concreto armado
Pra eu subir e ficar sentado
Olhando o mundo de cima

Com armas de ferro e aço
Escutando e vendo tudo
Meu batalhão carrancudo
Invade os costais da serra
Ouvindo o canhão que berra
Botando a cara em trincheira
Metendo os pés na ladeira
Aonde a mina se enterra

https://www.youtube.com/watch?v=DGcAAJu28os

14:37Sono da manhã

de Ticiana Vasconcelos Silva

Sono da manhã
No afã do tempo
Um medo
Um segredo

Fecho os olhos
E escoro
Na intuição
Viagem na contramão

Do povo
Do pão
Da dimensão
Mais bela

E a primeira esfera
É uma quimera
Da noite
Sob o conto

Conto meus dias
Como a primazia
De mãos a esperar
A pele macia

E a fantasia
É o reino
Mais sujo
Do último mundo

Um escudo
De embriaguez
Feita de lucidez
E era uma vez

A menina
Mais bonita
Na esquina
Da sensatez

Dobro a aposta
Que se mostra
Para quem ora
Como um japonês

Quem sabe a vida
É mesmo uma ferida

Quem sabe o sonho
É um retorno

Quem sabe a esperança
Vive a lembrança

Quem sabe o céu
É um pincel

E eu pinto
O sucinto
Na eterna busca
Da primavera

13:24Paulinho Garupa

Do enviado especial

Durante os bastidores do Debate da Band ontem assessorias dos candidatos e candidatas da esquerda cunharam um gentil apelido ao candidato ao Senado Paulo Martins (PL): “Paulinho Garupa”. E contextualizaram:

Se elegeu deputado federal em 2018 na garupa da Lava-Jato. E em quatro anos só andou agora durante o período de campanha pelo Paraná, ou na garupa do presidente Bolsonaro, durante as motociatas, ou na garupa do governador Ratinho Jr nos eventos de campanha. “Se apear em Guamiranga, não sabe voltar pra casa”, cravou uma astuta assessora.

12:16NELSON PADRELLA

Estamos no sertão do Piauí. O Presidente Lula aproxima-se de um menininho pelado e pergunta:
– Meu filho, o que é isto?
O menino responde:
– É testículo.
Quando chega a mãe do garoto, Lula diz:
– Minha senhora, vou lhe dar os parabéns pela educação que seu filho recebeu. Perguntei a ele o que é isso e ele respondeu testículo e não ovo, como é vulgarmente chamado.
Aí, a dona falou no ouvido do Lula:
– Chiu, moço! Fala baixo. Se ele souber que é ovo ele come…

11:11Carimbado!

Do Analista dos Planaltos

O ex-juiz Sergio Moro é um estranho no ninho da política. Embora faça política há muito tempo, travestido de juiz em casos como Banestado e Lava Jato, mostrou no debate de ontem na TV Band que é um político de uma nota só. Ele só se sente à vontade na hora de falar de corrupção. De preferência, dos seus processados, especialmente daqueles que lhe garantiram holofotes. Confrontado na sua desarticulação de ideias, refugiou-se sempre na trincheira do discurso que lhe deu fama. Quando ousou sair do aprisco, deitou falação sobre generalidades que até um colegial faria melhor.
Atacado à direita e à esquerda por suas contradições, gaguejou e desviou-se de explicações convincentes. Na reta final, chegou mesmo a ensaiar uma reclamação, dizendo que sua presença no debate tinha o objetivo de “discutir propostas”. Como se ele as tivesse. O Moro candidato deve suar frio em eventos como o da Band. Começou como marreco fora da água. Terminou como marreco assado.
Sua maior bandeira, a condenação de Lula, precisa ser revisada à luz de argumentos objetivos e da verdade. Se de um lado Lula se diz inocentado, de outro Moro sustenta que não há absolvição. Os dois estão certos e errados. O ceticismo ensina que quando algo começa errado, a chance de terminar errado é muito grande. Como essa pretensa candidatura de Moro ao Senado.
Declarado incompetente e parcial, Moro produziu uma lambança jurídica que em qualquer sistema judicial sério lhe valeria uma punição exemplar. Aqui não. Saiu antes para ser ministro, candidato a presidente, candidato a senador em São Paulo e agora candidato a senador no Paraná. Nessa trajetória, ganha o carimbo de traidor, repetido por todos os ex-amigos. Estranha agora sua insistência em querer se reaproximar de Bolsonaro, como se quisesse voltar à cena do crime para tirar alguma vantagem eleitoral. Saiu do governo atirando no presidente e agora busca argumentos para a convergência. Nada mais surpreende em Moro. Especialmente o seu amadorismo.
Alpinista político, sua caminhada tem tudo pra dar errado. Cada vez mais questionado em seu comportamento, foge das explicações sobre suas decisões baseadas em prisões arbitrárias, conduções coercitivas, delações negociadas e conluio com procuradores. Foge para o campo político, onde é rejeitado por todos.
Fora dos processos, não consegue articular uma frase com sujeito, verbo e complemento. É um simulacro. Figura patética, sem ideias, sem bandeiras, sem sal e sem açúcar. O seu melhor é o seu pior. O saldo é zero. Melhor virar a página e tocar a vida. Sem ter que ouvir voz de marreco.

9:04Por pouco!

Quem conhece as entranhas do triturador político que há nas sombras do poder no Centro Cívico garante que o deputado estadual Soldado Fruet se livrou de uma enrascada ao apenas discutir com João Bettega, do MBL, no episódio em que a mulher dele foi quem partiu para cima dos desafetos. Isso porque o parlamentar, que tenta a reeleição, faz oposição ferrenha ao governador Ratinho Junior, apesar de ser bolsonarista convicto. Na avaliação, se o ex-polícia militar triscasse em Bettega, o destino dele seria complicado em caso de permanência no Legislativo. Isso é política!

7:31A Boca e o cabo

Ontem o Gaiato da Boca Maldita ficou com medo de ficar espremido no cercado, por isso foi ver avião subir e descer em São José dos Pinhais. Ao tentar saber o que aconteceu na celebração petista, leu isso: “No comício da Boca Maldita, Requião abre mão de protagonismo e vira “cabo eleitoral de Lula”. Como estava feliz com o céu azul e o sol que reapareceram em Curitiba, só disse uma coisa: “Ainda bem!”

7:17NELSON PADRELLA

É preciso que se esclareça que uma coisa não tem nada a ver com outra. A cambacica, que é mais conhecida como caga sebo é um pássaro da nossa fauna, assim como o vira bosta, que as pessoas cultas conhecem como chopin, nome também dado a famoso compositor musical e dado também ao encontro de amigos no bar da esquina pra botar o papo em dia. Há pessoas iletradas que chamam um passarinho de cagabosta e outro de virasebo, causando confusão entre os dois defecadores alados.