Do Filósofo do Centro Cívico
Paulo Guedes negou que 33 milhões de brasileiros estejam passando fome no país: “São todos argentinos”.
Do Filósofo do Centro Cívico
Paulo Guedes negou que 33 milhões de brasileiros estejam passando fome no país: “São todos argentinos”.

Uma brasileira – Foto de Jean Manzon
Bolsonei uma grana aí, ou seje, botei a grana no bolso. Cria-se um neologismo, perde-se o amigo, mas não se perde a ereção. Ereção não, que diabo, não se perde a eleição. Afanei grana não. Quem sou eu! Só bolsonei. Botei no bolso, ninguém viu. Se viu, fez que não. Bolsonar é isso. Um crime solto no ar.
Do Cabeça de Pedra
De repente olho e vejo aqui na mesa uma gaita de boca azul, um pião e a fieira, um calendário Seicho-No-Ie que ensina “A alegria da alma manifesta-se nas ações de amor ao próximo”, duas agendas telefônicas com mais de dez anos anos de uso, folhas soltas, nomes se apagando, números que não servem mais, um caderno com anotações de viagem que nunca mais abri, um porta-canetas feito no tempo de internamento no manicômio e o telefone vermelho que achei ser do coronel maluco do filme Dr. Fantástico. A quem interessa a descrição? A mim mesmo, porque quem lê vai imaginar a mesa, a tela do computador, talvez o local e não vai passar perto do real. Jornais da semana se espalham pelo chão e há uma arma com mira telescópica num canto. Chumbinho. Sim, matou. O que? Não interessa. Como Lawrence da Arábia, depois da primeira morte, houve prazer. Mas isso faz tempo e eles não apareceram mais no quintal para levar bala. Será que estou ficando louco? De novo? Sei que em casa há uma camisa de força guardada em algum lugar. Já estive dentro dela. Manso. Agora visto roupas de grife e frequento locais onde os tubarões nadam, deitam e rolam. Deveriam ser abatidos – porque mais alucinados. O sangue escorre de suas bocas e eles querem mais. Isso é outra história. Estou sozinho. Tenho cicatrizes grandes nas têmporas. Me falaram em lobotomia. Estou calmo. Vou tocar a gaita e rodar o pião. Com licença.
A gente nunca é derrotado lealmente.

Foto de Maringas Maciel
por Carlos Castelo

Foto de Tarsila Faria e Silva
por Célio Heitor Guimarães
Na semana passada, falei-lhes de Fernanda, minha neta, que, neste final de ano, enfrentará o dragão do exame vestibular, aquela máquina mortífera criada para triturar jovens e vocações. Quer ser médica e sabe que a jornada não será fácil.
Por coincidência ou não, nesta quinta-feira 22 de setembro, meu outro neto, Eduardo, recebe o diploma de engenheiro mecânico, graduado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Foi muito estranho a escolha feita por ele. Como a maioria dos jovens, não mostrava vocação para nenhuma profissão. Como a irmã, sempre foi muito bom aluno, com notas muito acima da média geral. Mas não revelava o que pretendia ser no futuro. Para seguir a tradição familiar, poderia escolher a advocacia, o magistério ou o jornalismo. Era, até então, o que ocorria, na grande maioria, com os Guimarães, os Faria, os Manfroi e os Macedo Portugal.
Por isso, foi uma surpresa geral quando, ao fazer a inscrição para o vestibular na Federal, Eduardo optou pela engenharia. E mecânica, entre as várias opções de engenharia existentes no nível superior.
Só para constar: paralelamente, ele submeteu-se ao vestibular de medicina na Universidade Positivo e de direito na Unicuritiba. Quando já estava matriculado na UTFPR, soube que passara na Positivo e na Unicuritiba (nesta, em quinto lugar). Aí, preferiu ficar na federal e teve que driblar os telefonemas da faculdade de direito, que o convocava para a matrícula.
Ainda com um certo espanto, os pais, avós, tios, primos, irmã e amigos viram Eduardo completar com alegria e dedicação os cinco anos da graduação. Na velha sede da 7 de Setembro e na nova da Cidade Industrial. Logo, fará uma pós-graduação. Depois, só Deus sabe. Enquanto isso, investe em idiomas. Já aprendeu o inglês, aprimorado em um ano de Austrália, está aprendendo o espanhol e de olho no francês.
Passo a passo, com esperança e muitos sonhos na cabeça, Eduardo vai fazendo o seu caminho. Como bom taurino, é firme e obstinado. Na caminhada, encontrou Suenne, que, juntos, nos deram o pequeno Bernardo. Por iniciativa própria, conquistou um estágio na Renault. Hoje, é funcionário de uma terceirizada da empresa francesa, com carteira assinada e a função de analista de projetos. Mas ambiciona seguir adiante e certamente seguirá.
Eduardo e Fernanda, filhos de Carlos Eduardo (Cadu) e Melissa, e agora também Bernardo e outros que ainda virão representam a nossa continuidade (minha e de Cleonice). Mesmo depois que embarcarmos para nova dimensão, continuaremos vivendo aqui através deles.

de Mia Couto, Maputo, Moçambique
Aconteceu-me a mim o oposto do que sucedeu com Pedro Álvares Cabral: encontrei você, Brasil, pensando que era a minha própria terra. Não tive nem barco, nem mar. Quem viajou foram vozes brasileiras que entraram na minha casa como se não houvesse porta. Essas vozes falavam de uma nação distante que guardava África nas suas raízes e misturava África nas suas sementes.
Na minha varanda, desembarcou o mar de Dorival Caymmi, desembarcaram os versos de João Cabral, de Bandeira, desembarcou a prosa de Drummond, Amado, Machado, Rosa e Graciliano. Havia um idioma que era o de Moçambique, mas que já era um outro. E havia um lugar que me abraçava com os meus próprios braços. Esse parentesco era motivo de orgulho dos moçambicanos que, enchendo o peito, avisavam o mundo: olha que temos um irmão que se chama Brasil!
Em 1975, já Moçambique livre e independente, chegaram dezenas de brasileiros que fugiam do regime militar que se tinha instalado à força em Brasília. Esse país que eu idealizara como um lugar de afeto e harmonia era, desde 1964, governado pelo ódio, pelo medo e pela violência. Os brasileiros que buscavam refúgio político em Moçambique eram pessoas tão generosas, solidárias e afáveis e era difícil aceitar que a maior parte deles tivessem sido perseguidos, presos e torturados.
Finalmente, em 1987, viajei para o Brasil, dois anos depois da democracia ter sido reinstalada. Foi como encontrar finalmente um pretendente com quem, durante anos, namorou por carta. Neste caso, não houve desilusão. Pelo contrário, a paixão pela gente e pela terra brasileira não me deixou ver a ruga e a mácula. Encontrei um Brasil que eu tinha romantizado.
Sob essa capa de doçura e afabilidade havia uma outra dimensão de violência que era filha e neta da brutalidade colonial. Eu tinha visitado você, Brasil, como aqueles sujeitos que clamam serem cegos para raças e, desse modo, não são capazes de ver o racismo.
Essa cegueira seletiva fez com que, décadas depois, me surpreendesse o fato de os brasileiros terem elegido para presidente um homem que declara sentir saudades da ditadura e que celebra como referência moral um torturador no regime militar. Um presidente que substitui o diálogo pela ameaça das armas e que manifesta a maior indiferença perante a morte e o sofrimento dos seus compatriotas. Houve, admito, um Brasil que foi mais sonho do que realidade. Mas este você de hoje é um pesadelo bem real.
O meu maior desejo é que os brasileiros superem de vez e para sempre esta sua passagem pelo inferno. O Brasil que ganhou o respeito do mundo não pode ser representado senão por alguém que celebra a vida e que defende o tesouro maior da nação brasileira: a infinita diversidade do seu passado e pluralidade do seu futuro.
Não é apenas um desejo pessoal. É uma certeza: você vai-se levantar, vai sacudir a poeira e vai dar a volta por cima.
*Publicado no jornal O Globo
Do Analista dos Planaltos
A campanha da oposição ao Ratinho Junior é tão ruim que parece ser uma manobra para reeleger o governador em primeiro turno – e com facilidade.

Uma brasileira – Foto de Jean Manzon
por D’Alencastro Menezes
Tem gente que faz curso de oratória só pra dizer que melhor mesmo é falar aquilo que os ouvidos escutam o que interessa e de nada adianta tantas inteligências juntas ao preparar um discurso pra inglês ver tanta barbaridade em cada palavra impublicável impulsionada pela força imbrochável de uma cacetada que vem da pesquisa direto na cabeça pensante de comunicador que se trumbica cada vez que um certo senhor solta suas pérolas por onde passa.
A Justiça determinou a retirada do ar do vídeo em que o ex-procurador federal Deltan Dallagnol chamou o Supremo Tribunal Federal de “casa da mãe joana” que, em brasileiro, também significa puteiro, zona, casa de tolerância, etc., pois foi assim que a expressão surgiu. Em nota, segundo o jornal Gazeta do Povo, o candidato a deputado federal disse que reconhece no tal vídeo a importância do STF e, hummmmmmmmmmmmmm, que a instituição “é uma casa essencial à democracia”. Expressionante!
Aviso importante: Quem ainda não brigou com amigos e familiares por causa de política, ESSA É A ÚLTIMA SEMANA!
Uma senhora amiga do blog reclama:
Ônibus de graça para levar fãs da praça Tiradentes até a Pedreira Paulo Leminski para o show do Guns N’Roses tem. Ônibus para levar os fiéis (a maioria idosos) da Santos Andrade até a novena de Perpétuo Socorro não existe mais. Pode?
A política é a arte de impedir as pessoas de participar de assuntos que são do seu interesse. (Paul Valéry)





No Paraná, no Dia da Árvore – Fotos de Lineu Filho