Às 6 da manhã uma chuva lava o teto de vidro metros acima de minha xícara de café. Ondas de choro chegam e tem gente me olhando neste hotel. Preciso do mar que está logo ali, mas longe. Chuva aqui, dizem, é psicológica. Batatolina! O sol explodiu. Uma carruagem me levou para longe da cidade grande. Sempre beira-mar, com verde de doer os olhos. Caldinho de polvo. Barcos coloridos ancorados sobre piscinas naturais. Uma mesa onde havia só sorrisos. Conto histórias. Canto trechos de músicas. Faço propaganda de Antônio Maria e ouço jovens falando de Rubem Braga e Rubem Fonseca. Ao lado alguém coloca Roberto Carlos para tocar. Do tempo em que era rei. O mar não secou. Nem dentro, nem ali. Entro nele. Conversa com a Rainha do Mar. Sempre nos mergulhos. Descarrego total. Volto. Há mais água mineral na mesa. Com gás. Para todos. Nunca vi isso na vida. Cinco pessoas. Que felicidade! Posso chorar mais tarde. Agora, não! Porque as ondas não vão parar neste meu mar da saudade.