por Mário Montanha Teixeira Filho
Um pouco de cansaço. Nenhum susto, nem medo, nem desesperança. O peso, sim, de (mais) um tempo sombrio que se anuncia. Da violência do Estado que oprime e mata, da arrogância engomada dos que se proclamam vitoriosos, da mentira espalhada pelos donos da informação. Tudo velho, portanto. Seguiremos, como sempre, na contramão. Sinais fechados aguardam nossa passagem. E eu não tenho vontade de dizer nada.
Faz tempo que escrevi as frases acima. Meia dúzia de anos seguiram com muita velocidade, a lembrar que seria preciso refazer a vida, os sonhos, as conquistas aparentes da civilização. Só que o curso das coisas não mudou, seguiu impávido. Sinal de que que o horror nascido daqueles dias incertos cumprirá o seu ciclo de devastação. Não deveria ser. Mas é. Homens feios e sujos no comando de tudo. E eu sem vontade de nada.