7:03NELSON PADRELLA

DIÁRIO DA GRIPEZINHA

Bateu a sineta pra começar a aula. Dona Síndica, que tinha chamado para si a tarefa de ministrar aulas sem concorrência, que isso lhe garantiria uns trocados a mais, faltou no primeiro dia. Ocupou seu lugar o morsa do marido, pelo menos o dinheiro ficava em casa. Percebi que das crianças só metade compareceu. Só a parte de baixo. A parte de cima gazetou bonito. Preguiça de descer escada. Presentes, só o pessoal do térreo. Enquanto a aula não começava, o piá do bloco C, me esqueço o nome, disse assim que o presidente disse que só jogava nos três paus. Quatro, contando com o do goleiro. Ao fundo, a menina dos Lima disse “eu sou free demais”. Já o professor, marido da síndica, queixava-se de ter gasto um tatu canastra no almoço de hoje, e que ontem, só de táxi morreu com duas capivaras e meia. “Um cafezinho na Boca está custando três sabiás” – informou. E a brasileirada toda sem gastar guarás porque é bem capaz que nem deu pra aproveitar depois que o senador guardou no cofrinho. Foi aí que a síndica adentrou, catou o marido pela orelha e disse: “Quando eu precisar de dublê eu mesmo digo.”

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.