6:41Moro, o candidato coach

Quando vejo gente disposta a votar em Sergio Moro para presidente entendo o sucesso do coach que convenceu 60 pessoas despreparadas a subir os 2.400 metros do Pico dos Marins, interior de São Paulo. A metade que chegou ao cume precisou ser resgatada, uma epopeia de nove horas, que evitou uma tragédia, segundo os bombeiros.

O curso vendido por Pablo Marçal, chamado de “O pior ano de suas vidas”, incluía essa expedição. Marçal em sua conta no Instagram escreveu, “só conquista o topo dessa montanha quem está disposto a entregar todos os recursos durante o caminho. Sangue, suor, lágrimas e gordura. O que te impede de viver aventuras como essa?”.

Não ser trouxa me parece uma boa razão. Isso inclui não cair no papo furado de coaches e não votar em aventureiros. Sergio Moro é um pré-candidato que se encaixa nas duas categorias. Curso de oratória e fonoaudiologia são parte do verniz. O despreparo ele tenta camuflar levando para o seu entorno nomes palatáveis a quem se deixa iludir. É a pegadinha do Posto Ipiranga. Cai quem quer.

Não há nada no histórico de Sergio Moro que o habilite à Presidência. Entendo que depois de Jair Bolsonaro haja quem considere qualquer coisa melhor. Moro não é melhor, e qualquer tentativa de um plano seu de governo poderia ser batizada de “Os piores anos de sua vida “” Parte 2″. O Brasil não aguenta mais amadores. Não temos mais quatros anos para desperdiçar com aventureiros. Moro já deixou claro que é exatamente isto: amador e aventureiro.

O ex-juiz precisa dar um rumo na vida depois de ter encerrado sua carreira no Judiciário para integrar um governo fascista e incompetente. Mas o que ele oferece como candidato é uma jornada sem equipamentos de segurança por uma trilha com histórico de acidentes fatais, em que o eleitor tem que dar “sangue, suor, lágrimas” e o resgate só chegará depois de quatro anos.

*Publicado na Folha de S.Paulo

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6 thoughts on “Moro, o candidato coach

  1. Nelson Padtella

    Esso texto, esclarecedor e profíquo (nāo sei o que é profíquo, mas a palavra me soube bem), como tantos outros que pintam por aí, diz muito mas bate em portas fechadas. Melhor dizendo: em cabeças fechadas. Qualquer um, com o mínimo de noçāo, sabe para onde o barco está caminhando. Ou -usando linguagem de rebanho – sabe para onde a vaca está indo. O trabalho de tantos profissionais de Imprensa se perde na teimosa burrice de fechar olhos e ouvidos. Se, pelo menos, o rebanho fechasse boca também, isso já seria um delicado gesto de ajuda ao Brasil, a nós todos.

  2. Jose.

    Qual era a experiência administrativa de Bolsonaro, Dilma ou Lula?
    Dilma já tinha sido um desastre antes ao quebrar uma lojinha de 1,99, sua passagem pelo governo gaúcho não foi propriamente um sucesso e politicamente já era irrelevante.
    Se for assim, pelo texto temos que votar no Doria…Lula tem mensalão e petrolão na conta, não dá pra esquecer.

  3. Willy

    A lucidez e coragem recebem como réplica as adjetivações chulas e mal criadas dos adeptos da seita! Isso é o melhor que podem fazer! Cegueira intelectual combinada com caráter duvidoso dessa gente tosca!!!

  4. Antonio Jose

    Padtella, também gosto de usar palavras chiques, pra dar um enfeitada. Prefiro as que soam bem, tipo perfunctório. Profícuo não é uma palavra muito sonora…
    Por outro lado, entrando no mérito do artigo, me parece que acerta, tanto na fundamentação qto no fígado dos leitores – observe a reação nos comentários.

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