19:17ticiana vasconcelos silva

Terminei o mundo
Em um segundo
E o que era fundo
Se desfez
Fiquei no abraço
Raso
E dei um passo
Na escuridão
E o meu coração
Age sem condição
Sem réguas
A criarem exatidão
Porque o breve
Cair da noite
É a minha dimensão
E calço os sapatos largos
Para ir na direção
Do sol ao Oriente
Da lua em conjunção
Com o planeta mais alto
Sobre as cinzas de um vulcão
E assim singela
Peso o grama da destruição
De uma alma bela
Que negou a sua razão
Ser uma tela
Desta criação
É subir pela janela
E cair na oclusão
De uma ideia
Sem nome e sem pão
Como claras de ovos
Na manhã da decisão
E o medo é meu irmão
Na busca sem saída
Desta ilusão
Caio em mim
E o fim é a redenção
De belos olhos negros
Que veem a cisão
De povos sem olhos
Que choram sua prisão
Ao cárcere de sua nação
E como não ouvir
Seus lamentos
Nessa tarde vazia?
Como não clamar
Por uma história
De uma traição
Traímos os nossos
Para subir na lentidão
Da vida que nos cobra
Nexo e intuição
Instruímos escravos
Para a podre perdição
De almas pálidas
Que cobram sua absolvição
Da justiça humana
Sem nenhuma perfeição
E ao longe o monte
Desta vastidão
De pés sem pontes
De mentes sem lição
E eu que conte
A minha indução
E eu que esconda
A minha paixão
Tão pequena
Que uma fonte
É minha exclusão
De um mundo isonte
Sem nenhum são
Que me faça
Nome
Nessa dança
Da razão
Que vai defronte
Da minha imaginação
Um grão de risos
É minha ignição
Ligo sóis e hibiscos
E faço ficção
Fitando o grilo
Na sua canção
Sou inebriada
E não digo não
Um dia é minha casa
Um dia de salvação
Voo para o nada
E roubo sua asfixia
Mania de estrada
Que um dia foi imã
De uma longa jornada
Que nunca me dizia
És tu ou a cilada
De uma estranha poesia
Que me diz
Faz a escada
Do céu e da ventania
Ao sul o lago
Ao norte a hipocrisia
Mas nada me cala
Quando ouço tiranias
Para saber que a prata
É a minha idolatria
Prato sem faca
E jarro sem pia
Eu sou uma piada
Da luz do que se via
Quando o mundo
Era pequeno
E eu era sinastria
Do amor ileso
Daquela que ia
Correr pelo peso
Da sua família
Soltamos o espesso
E longo parto da vida
Para dormir cedo
Para acordar sem ira
E o que irá nos salvar?
Senão uma mentira
Que não conta verdades
De uma doce arritmia
Coração bate forte
E o leste se inicia
Quando parto com a sorte
Como minha companhia
Um verso é consorte
Nessa grande estadia
De uma lua que corte
A minha ousadia
E nunca mais finalizei
O texto deste dia
Porque sou mais morte
Que uma sadia
Reta que se entorte
Sou a curva
De seu inerte
Saber
E assim termino
Meu alvorecer
Porque prazer
É para quem tomba
Sem nunca crer
Que o sábado
É a conta
De um permanecer
Ausente e silente
Dessa rua que vai viver
Na sua primeira
Trama de enlouquecer
A dama que clama
O seu entristecer
Sou a órbita
Que nunca vai morrer
Porque se faço a cama
É para merecer
O que se chama
Desentender

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