por Célio Heitor Guimarães
Acho que está mais do que na hora de o “posto ipiranga” encerrar o expediente, baixar as portas e sair de fininho. Paulo Guedes sempre foi um engodo. Muito papo furado e nenhuma ação. Isto é, só ações maléficas. Assim como o capitão chefe dele, Guedes odeia o povo. O primeiro quer extinguir a população pela pandemia e pelas armas; o segundo, pela miséria e pela fome. Democracia nenhum dos dois sabe o que é.
Paulo Guedes chegou ao governo ou mesmo antes dele começar cheio de empáfia, era o sabidão da economia, o fiador do então candidato Messias, que iria resolver todos os problemas do Brasil. Anunciou-se uma explosão de realizações e aconteceu um traque.
Quando aventou o aumento de impostos e a volta da CPMF, soube-se que ali estava um sujeito pequeno, despido de ideias, sem um programa consistente, igual ou pior do que os seus antecessores.
Incompetente na teoria e na prática, Guedes faz uma bela parceria com o ex- tenente paraquedista, reativando a inflação, prevista para chegar ou passar de 8% no corrente ano – “coisa insignificante” , na sua opinião, “dentro do jogo”. As tarifas públicas chegam à estratosfera e o ministro avisa que ainda vão subir mais. Na sua lógica desumana e distante da realidade nacional, “temos de enfrentar a crise de frente”. E averte: “Não adiante ficar sentado chorando”.
Pois é, excelência, o melhor é rir, como se faz no Palácio do Planalto e arredores. Ali, a despensa ainda deve estar cheia, depois daquela licitaçãozinha de R$ 1 bilhão e oitocentos milhões para o rango, R$ 15.641.477,59 só para o leite condensado matinal do chefe.
O custo de vida asfixia a população, mas o ministro tem a sua própria visão do tema, isto é, para ele, “a alta do preço do arroz é só um efeito da melhora na vida dos brasileiros de baixa renda”.
Por isso, o aumento do preço da luz, da gasolina, do gás de cozinha e do dólar é pura ilusão. De quebra, o racionamento de água e logo também o de luz. Afinal, o que o povo quer? Continuar, como fizeram outrora as empregadas domésticas, viajando ao exterior? Ou, como também já fizeram os porteiros, mandando os filhos para a universidade com financiamento público?
No meio da semana passada, Paulo Guedes, com suas atuais frases
desconectadas, afirmou que não era preciso ter medo de encarar a crise: “Qual é o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara?” Nenhum, excelência; apenas que a grande maioria dos consumidores que já vivia com apenas um ponto de luz, agora vai acender velas e colocar em risco a vida nos barracos.
No Ministério da Economia, a (falta de) criatividade não tem limite. E é de uma
simplicidade berrante. Falta dinheiro? Avance-se nos depósitos dos precatórios. Mal sabe o infeliz e pândego ministro que os depósitos de precatórios são “imexíveis”. Não pertencem ao governo, mas aos credores do governo, por decisões judiciais transitadas em julgado. Utilizá-los para uso próprio seria apropriação indébita, ou simplesmente furto.
Das reformas anunciadas pelo inicialmente fulgurante condutor da economia nacional, apenas uma saiu (em termos) – a previdenciária – e para dificultar as aposentadorias da população e diminuir o valor dessas aposentadorias. Como novidade trouxe a elevação da contribuição previdenciária mensal.
Restam as reformas administrativa e tributária. O objetivo da primeira, segundo os seus bem-intencionados mentores, seria acabar com os privilégios do serviço público. Mas exclui, desde logo, os militares, os magistrados, os ministros dos tribunais superiores, o Ministério Público, os embaixadores e os parlamentares, isto é, as classes mais privilegiadas da Nação. Quem sobrou? A raia miúda, aquela sem poder de fogo, mas que, na verdade, é a que faz funcionar a administração pública.
A reforma tributária arrasta-se no Congresso Nacional, até que alguém faça o milagre de diminuir a imensa carga tributária sem criar novos tributos. O sonho continua sendo a restauração da maldita CPMF. A opção é a extinção do desconto padrão de 20% oferecido ao contribuinte que optar pela declaração simplificada da renda – o que atingirá mais de 17 milhões de pessoas. Tudo para o bem do Brasil, do arremedo de militar que comanda o atual governo e do “posto ipiranga” em explícita fase falimentar.
E não é apenas o proletariado que está “por aqui” com o economista Guedes. O mercado, os empresários e até a Febraban também.
Vai para casa, Paulo Guedes!
P.S. – Em um dos muitos cultos evangélicos usados como palanque eleitoral, Jair Bolsonaro afirmou que só há duas hipóteses de deixar o governo: ser preso ou morto. Há uma terceira, bem mais viável e provável, excelência: faltade voto.
Paulo Guedes foi colocado numa cápsula do tempo nos anos 90 (quando era moda encher uma cápsula com produtos da época e enterrar). Foi desencavado para assessorar Luciano Huck em seu projeto de virar político. A candidatura micou e Guedes foi o único que sobrou para abraçar a candidatura do messias da extrema direita. O empresariado ejaculava só de ouvir falar o nome do cabra. Os comentaristas de economia da imprensa babavam na gravata ao prever a revolução liberal do Chicago Old Boy…o tempo passou, o tempo voou e a realidade colocou as coisas em seus devidos lugares. Bozo é apenas um arremedo de Mussolini. Um misto de Papa Doc Duvalier com Idi Amim Dada. E Guedes é só um economista vintage. Poderia ser vendido num antiquário ou num brechó. Com um baita desconto. Ou com brinde de algo mais interessante, como uma máquina de escrever remington ou um rádio valvulado.
Parabéns Oto, comentário muito bom, reflete nossa realidade. Pena que alguns céticos ainda insistem em gritar Mitooo
O Bozo e o Posto Ipiranga as avessas, poderiam fazer um favor ao povo brasileiro se retirando da vida publica., dando lugar a alguém mais competente.