DIÁRIO DA GRIPEZINHA
Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Dona Humildes agarrada às grades do condomínio, querendo entrar. Uma demonstração clara de apego ao emprego. Dentro, Dona Humildes 2, varria, lavava, levava o lixo. O porteiro ligou para a síndica, veio ela mesma atender. “A senhora era para ter voltado no dia 18. Que férias são essas de quase dois meses?” Respondeu a humilde que tinha vindo já no dia 26, para reassumir as funções, e que Dona Eduarda (Dona Eduarda é a outra) tinha dito assim que eu podia ficar dois meses em casa. A síndica ponderou, seja lá o que isso signifique, e respondeu: “Tá bom, pode reassumir. Vou mandar a outra embora. Mas primeiro tenho que falar com o advogado”. Dona Eduarda, armada com uma vassoura, enfrentou a outra: “o emprego é meu”. Dona Humildes defendia-se com uma tampa da lata do lixo: “Isso é o que vamos ver”. O pau comeu na garagem do capitão, que pedia pelo amor de Deus que não arranhassem a pintura do seu carro, como se ele tivesse carro. Enfim: Dona Eduarda foi pra rua pelo crime de esbórnia, seja lá o que isso signifique, e que não iria receber nada por seus serviços, que fosse procurar seus direitos na Justiça. O advogado/serviçal, bem colocado nas intenções de votos para assumir a casa, também recebeu cartão vermelho. “Eu hoje estou assim” – disse a síndica, sob aplausos do seu gado.
Filme: VAGÃO DO ARMISTÍCIO (documentário assinado por Paulo Soares Koehler sobre roteiro de José Carlos Fernandes, música original de Celso Lock). O filme mostra Adolf Hitler e seus jagunços sendo varridos do trem, e que fossem assinar seus papéis em outra freguesia, porque era hora do almoço e Mestre Poty tinha feito um osso buco que era de se comer ajoelhado. Mas, Bento Munhoz queria uma feijoada como só o Lazzarotto sabia fazer, e já o Ney batia o pé porque queria camarão na moranga, e de repente o pau comeu