por Patricia Iunovich
Sinto minha alma marcada por dezenas de chagas. Minha vida se assemelha em parte à da Frida, pós acidente de trem. Assim como eu, ela imaginava um mundo melhor. Por onde ela andou ou percorreu esse sonho, não me importa, mas, sim, como nos encontramos. Na arte e na dor da fibromialgia. Somos frágeis, mas não sucumbimos a pessoas menores que se acham superiores pelo status que carregam. Tenho chagas. Tenho dores. E tenho, sobretudo, convicções. Tenho dores. Não são apenas psicológicas. São físicas e existenciais. Carrego um mundo nas costas. Existir é pagar por isso. Meu preço. Fiz algumas contas. Às vezes tenho impressão que fiz a conversão em Guarani. Volto. Tenho dores. São físicas. São psicológicas. São minhas, mas, no bojo, a de todos. Não posso seguir sozinha. Se sozinha fosse, seria a da morte provocada. Suicídio. Tento não pensar. Mas só penso. Arremato linhas e cordas. Sou eu. Absolutamente nada.