Mais um do bem se foi. Há anos o signatário não conseguia manter contato com o fotógrafo Irmo Celso Vidor, apesar de algumas tentativas em navegação às escuras por este universo internético. Conheci-o nos tempos da sucursal da Editora Abril de Curitiba. Era marcante por seu jeito interiorano de ser, traduzindo: simples, afetivo, sotaque carregado. Fez história em São Paulo na revista Veja, mas o que mais marcou foi o fato de um dia ter decidido largar tudo e voltar para sua Apucarana. Decisão que só os que se conhecem, são corajosos e decididos fazem. Sabia dele primeiro fabricando brinquedos educativos em madeira. Depois… ficou apenas onde interessa, na lembrança que deixam os que não precisam fazer esforço para marcar presença, apenas são. Ontem à noite recebi a mensagem que segue enviada por outro amigo, o jornalista Jorge Eduardo França Mosquera, o Jorjão. Ele disse ter estranhado eu não ter registrado a partida do Irmo Celso, que foi enterrado ontem na sua terra. Eu não sabia de nada sobre mais essa tristeza que a pandemia trouxe, na sequência da morte de um segundo primo em São Paulo, dois irmãos, mais jovens do que eu, assim como o fotógrafo. A notícia veio através de um texto do jornal Tribuna do Norte. Então eu soube que ele tinha se formado em Direito, neste tempo todo e era advogado atuante. Na foto do facebook que acompanha o texto que segue, vi que ele manteve o que sempre passou – uma alma do bem.

Da Tribuna do Norte, de Apucarana
O prefeito de Apucarana, Junior da Femac, emitiu nota de pesar pela morte do advogado e fotógrafo Irmo Celso Vidor, aos 66 anos. Irmo estava internado no Hospital da Providência e não resistiu às complicações da Covid-19.
O prefeito destacou a trajetória profissional como fotógrafo. “O Irmo Celso Vidor iniciou carreira na década de 60 em Apucarana, no jornal Correio do Lavrador, e depois prestou serviços em jornais de circulação nacional, como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil”, cita Junior da Femac.
O auge da carreira ocorreu entre os anos de 1978 e 1985, quando trabalhou na Revista Veja. “Foi um profissional reconhecido em todo o Brasil e que recebeu vários prêmios, como por exemplo o Prêmio Herzog de Fotojornalismo”, ressalta Junior da Femac.
Após decidir encerrar a carreira como fotógrafo, Irmo Celso Vidor voltou para Apucarana, se formou em Direito e passou a viver da advocacia. No entanto, não abandonou a fotografia, passando a desenvolver a atividade como um hobby e realizando projetos específicos, como o de curadoria fotográfica do livro “Apucarana – uma História de Sucesso no Norte do Paraná”.
Irmo Celso Vidor deixa esposa, filha e muitos amigos. O sepultamento ocorreu às 10 horas desta sexta-feira (30), no Cemitério da Saudade.
Quando a Rodovia do Café passava por dentro de Apucarana, nas minhas viagens sempre comprava algum brinquedo de madeira na loja-fábrica. Seria a do Vidor?