7:13Liberdade ainda que tardia!

por Thea Tavares

As informações, notícias, mensagens nos chegam e nos bombardeiam das mais diferentes formas e por meio de um leque dos mais inusitados caminhos que os avanços tecnológicos permitem ou nos induzem a percorrer. De maneira até exagerada, complexa e compulsória. E nos pegam de jeito também no isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, embora seja uma fórmula independente, que se aplica e se ajusta na nossa realidade à revelia desse contexto. Isso tudo nos faz desenvolver filtros, aprimorar mecanismos de autodefesa e não perder o controle sobre como saber e poder fazer nossas escolhas.

Inventaram os algoritmos das redes sociais para adequar a oferta e profusão de informações ao nosso perfil de consumo delas, limitando ou importunando o trânsito da gente pelas vias da comunicação social. Mas aquilo que realmente importa, em meio a tanta abordagem, ainda demanda buscas e perseguições de nossa parte. Dentro dessa liberdade que resistentemente o senso crítico – ou a bela loucura – nos propicia e faz enxergar, é preciso garimpar os assuntos e temas do nosso interesse sem a pasteurização e os combos que viciam o olhar e as sensações, para não se deixar robotizar. Para driblar a dependência cômoda de se ter tudo à mão, mastigado, o que enfraquece ou faz a gente perder o próprio interesse por fazer escolhas.

Por causa do isolamento social, há tempos não experimento aquele desligamento e distanciamento saudável desse mundo turbulento das informações e das mensagens eletrônicas. Porque, agora, o instinto de sobrevivência manda se desarmar. Parece contraditório, mas a forma também de burlar conflitos emocionais e os dissabores do confinamento tem sido justamente mergulhar de cabeça nas conexões e nas interações pelos tais ambientes virtuais. Em geral, os desligamentos programados eram favorecidos por viagens a locais mais ermos e remotos, onde os sinais de telefonia celular e de Wi-fi eram precários.

Nessas oportunidades fugazes é que a gente se lembrava de possuir ouvidos que funcionam para escutar as palavras ditas pela pessoa ao lado, de ter olhares para depositar atenção em tudo à nossa volta, que também são ávidos devoradores de sábias palavras escritas especialmente nos livros, ou de abrir a boca para emitir apenas o que for estritamente necessário, que faça sentido e precise ser dito sem distrações. Os mecanismos da interação digital, no contexto atual, fazem ou trazem companhia, sim. Mas tão logo seja possível pegar a estrada sem medo e sem culpa, será preciso dispor de uma sessão de desintoxicação midiática, que desligue dos ódios, das paixões desgastantes e das reações que essa enxurrada de informações e de sensações incute no nosso cotidiano e que nos convencionou pensar que responder a ela é a única forma de funcionar como pessoa e enquanto gentes.

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2 thoughts on “Liberdade ainda que tardia!

  1. SERGIO SILVESTRE

    Ontem meu afilhado fez 10 anos,cercado de Iphones,videos games de ultima geração,os padrinhos lhe deram 200 reais,ele cortou o lindo bolo de chocolate com cara de enjoo já que teria comido tantas guloseimas expostas antes.
    Eu não me lembro dos meus 10 anos,talvez estaria debaixo de um pé de café debulhando vagens de feijão colhidas furtivamente para minha mãe fazer um cozido,já que o dinheiro era pouco para tal iguaria,nem sabia o que seria um bolo de chocolate mas devorava uma fatia de pão feto em casa que mamãe fazia e pendurava num saco branco onde só ela alcançava para repartir na hora certa com meus irmãos.
    Mas essas adoráveis crianças da década de 60 tiveram o privilegio de ver o Beatles,Elvis,de nadar em riozinhos límpidos,e depois procurar uma moeda para comprar retalhos de paçoquinha e torrone na fabriqueta de doces.
    Pois é,as laranjas eram mais doces,e o arroz com tomate era a melhor comida do mundo,mas hoje é um dia especial,ganhei da professora Odete por ter boas notas um ingresso para a Matinée,vai passar “escudo negro” com Toni Curtis,mamãe passou a camisa de saco branco alvejado e vou ser um dos primeiros da fila……..

  2. Thea Tavares

    Silvestre, aprendi a nadar em rio. Assim: tibum! Jogada na correnteza pra aprender sozinha a boiar, se manter na superfície e dar um jeito de chegar até a borda. Certo não foi, mas retrata bem o EAD da época rsrs.

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