por Thea Tavares
Sabe aquele ano cheio de feriados prolongados, que a gente comemorava em meio aos desaforos de 2019, tecendo altos planos? Está quase acabando.
Será que Curitiba já conheceu, em sua história, um ano também tão abençoado pela evidência da presença do Sol? Boa pergunta! A impressão que se tem – baseada apenas em especulativas e oportunas convicções – é essa mesmo e o rodízio no desabastecimento de água encanada, motivado pela estiagem, apenas reforça essa sensação.
Era uma vez um ano…
Mas se estamos discorrendo a respeito dele é porque estamos vivos para contar essa história. Do jeito que ela for e acontecer. No fundo, bem lá no fundo, é o que mais importa, afinal. Mais de 120 mil pessoas, até o momento, nos deixaram. Não contam mais suas histórias, não choram suas perdas, não lamentam tristezas e nem podem mais, um dia, rir do que sobrar e for para ser engraçado. Não irão mais ter a possibilidade de aprender e nem de se reconstruírem.
Como diremos lá na frente o que foi o ano de 2020? Que ano será esse?
Muito silêncio, muita introspecção… Trouxe muito autoconhecimento e reavaliações. Aquele balanço mental que fazíamos, quase forçados pelas convenções e programados nas tradições de fim de ano, se estendeu para além de um período como o da semana entre o Natal e os festejos do Ano Novo. Para além das férias escolares da garotada, do descanso e da paralisia das atividades comerciais nos anos que retornavam à rotina – como costumávamos folcloricamente dizer, já sem muita convicção, muito menos lastro na realidade – somente após o feriado de Carnaval.
Passada a fase da expectativa apavorante frente ao desconhecido e da convivência ou resistência nossa diante dessa nova realidade imposta pela Covid-19, fica no ar e na boca encoberta pelas máscaras um certo gosto de sobrevivência. Os questionamentos embutidos na introspecção não param de fervilhar no poço das ideias: o que aprendemos com isso, com tamanha privação? O que faremos com esse aprendizado? O que faremos de diferente no nosso cotidiano e nas relações com outras pessoas?
O olhar para dentro e o ouvido atento para os silêncios que habitam estes dias, a mão estendida, ainda que áspera e engrossada no rigor das medidas de assepsia, podem também nos orientar na retomada e no recomeço das atividades costumeiras. Ao sair de dentro do casulo, que a gente consiga carregar essa pessoa que se escutou, se observou e se compreendeu para a rotina da convivência com os demais, para o ambiente coletivo e para as relações na sociedade.
Apesar da constatação de que os anos começam a acabar quando entramos em setembro, a pandemia ainda nos assombra e nem parece querer se render tão facilmente. Não se pode nem baixar a guarda dos cuidados agora, apesar do peso do cansaço e dos nossos inconformismos, muito menos perder as esperanças ou abandonar e desprezar esse acúmulo de autoconhecimento propiciado pelo isolamento, no bojo dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.
O retorno do futebol aos estádios, ainda que sem torcida e exibindo compreensivelmente um futebol que deixa muito a desejar para os espetáculos passados, já nos aponta algumas evidências: as decisões se dão nos acréscimos. Em alguns casos, também no apito amigo do V.A.R. e, daí, o velho comportamento em campo aflora e alguém taca uma nervosa bicuda no aparelho de consulta do juiz. Não está fácil pra ninguém! Mas, se não for nenhuma novidade, ao menos chama a atenção o fato de que tem sido recorrente, nessas cinco primeiras rodadas do Brasileirão, de a decisão só acontecer lá nos finalmentes. Quando estamos acreditando que acabou a pior pelada de várzea do campeonato, alguém mete um ou dois gols nos acréscimos, segundos antes do apito final da partida. É o que está prevalecendo nesse jogo e na vida da gente. Portanto, vamos nos manter firmes e com energia resistente até lá. Cada três pontinhos galgados farão toda a diferença nesse somatório de conquistas diárias. É ou não é?
As praias de norte a sul do Brasil estavam lotadas ontem,a capa da folha de São Paulo mostrava a ror desafiando o vírus,enquanto um jornalista Bolsonarista dizia que a foto da Folha era Fake News.
Minha desesperança é ver que esse jornalista é comentarista de um programa de grande audiência na Jovem Pan ,onde na sexta feira,metade do programa foi para satanizar a Greta,e nesses 6 meses de pandemia os três comentaristas do programa pregavam a abertura geral,o negaciosismo da doença,dizendo que era uma gripezinha.
Esse programa “pingo nos is” contribuiu e muito com a morte ,por enquanto de 120 mil pessoas,
Silvestre, o Largo da Ordem em Curitiba e a Praça do Gaúcho também passaram o último final de semana festejando o que o Chico chamaria de “sanatório geral”. Por essa e outras, que vamos demorar para cantar “vai passar”!