15:34A mentira, a verdade e o porteiro

por Mário Montanha Teixeira Filho 

Bolsonaro, o Messias presidente, o “seu Jair”, é a síntese do Brasil institucional – um país saqueado, destruído e sem rumo. O vídeo em que aparece aos berros, gravado na madrugada de 30 de outubro direto da Arábia Saudita, tem estética macabra. Nele, o chefe da nação faz caretas, xinga e ameaça, na tentativa de provar que não possui vínculo com os acusados do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em março de 2018, hipótese sugerida em reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, poucas horas antes.

Esse episódio é mais um, apenas, da sucessão de absurdos transformada em pauta política nos últimos anos. Foram os anos do impeachment de uma presidente da República acusada de “pedalar”, do mandato de um vampiro entreguista que se encarregou de eliminar direitos sociais e aumentar a pobreza no País e da eleição presidencial em que o candidato favorito permaneceu na cadeia, inelegível, por ordem de um juiz que seria nomeado ministro do seu concorrente vitorioso.

Assim funcionam as instituições brasileiras: na base de acordos subterrâneos, da manipulação de textos legais, do bacharelismo de araque e de golpes que se repetem. Bolsonaro não surgiu do acaso. É filho desse esquema. A novidade, nos dias tristes de agora, está no protagonismo – mais ou menos explícito – de representantes do aparato da Justiça e de setores amalucados das Forças Armadas. No meio da confusão, políticos recebem prêmios por massacrar o povo, enquanto os meios de comunicação tradicionais fingem fazer jornalismo.

O que sobra de “governo” está, ao que tudo indica, sob o controle de milicianos. Com a Constituição em frangalhos, o País se perdeu nas trevas, submetido a mentiras e versões fabricadas por picaretas, mergulhou em manchas de óleo e incendiou florestas. Confiar em quem? Talvez no porteiro do condomínio onde convivem em harmonia a família Bolsonaro e os acusados de matar Marielle e Anderson. Talvez esteja ali, na figura simples de um trabalhador cujo rosto não se conhece, o sopro solitário de verdade, prestes a ser esmagado pelo sistema, com seus fuzis, suas leis e suas togas.

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One thought on “A mentira, a verdade e o porteiro

  1. SERGIO SILVESTRE

    Pois é,é triste ver uma turba pagar out door para execrar arcebispo,para patrulhar padres que cuidam de pastorais e excluídos.
    A classe média brasileira está apodrecida e a classe rica que perdeu a noção.
    Padecemos de um mal cronico de nome Bolsonarismo,o vicio das redes sociais e a adoração de bezerros de ouro.
    O Brasil rumo a barbárie,ninguém se respeita,eles querem a lei do bang bang,isso transformado numa Bastilha com direito a banquetes diários e com um fosso cheio de crocodilos para afastar miseráveis.,mas quando tem algum enforcamento são convidados a adentrar no patio do Palacio para se deliciar com um revolucionário enforcado.

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