8:22Palco

de Mário Montanha Teixeira Filho

Há de tudo, agora e aqui,
destruição que não para,
amores frágeis que se vão,
armas, tanques, escravidão.
Há manchas de morte
nos mares,
fogo em todos os lugares,
matas, museus,
livros pagãos,
filmes que pensam:
“por que não?”.

Há nãos em profusão,
em casa, nas igrejas,
nas escolas, no parlamento,
nas leis dos reis.
Há veneno no prato
de quem ainda tem
o que comer,
há medo nas ruas,
silêncio das ruas,
toques de recolher.

Há loucos que mandam
no mundo
e soldados que executam
seus iguais,
há deuses cruéis
que proíbem,
há luzes difusas,
enredos confusos,
juízes severos,
palavras que ferem.

Há tudo, ou não há nada,
lua na madrugada,
beijos embriagados,
conspirações expostas,
arte que sobrevive,
manifestos, bandeiras,
braços erguidos,
revolução.

Há ordem na contraordem,
paz na desordem,
vida na escuridão,
há o desejo,
o dia de amanhã,
o vazio a ser ocupado.
Há o homem condenado,
a chuva insistente,
a prisão que não se explica,
o nexo e o processo,
o céu dos justos
e a agonia dos vivos.

Há de tudo, agora e aqui,
o sangue nas mãos
que odeiam,
dores dos gestos
que traem,
o cemitério Brasil.

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One thought on “Palco

  1. SERGIO SILVESTRE

    Pois é,isso é um retrato do mundo daqui meio seculo quando nossa poeira estiver vagando pelo Universo.
    ‘a chuva acida intermitente,as fogueiras queimando montes de corpos,o sol e a lua invisiveis pela fumaça.cheira enxofre e carne assada sem sal”

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