20:45ZÉ DA SILVA

Poeiras radioativas choram. Eu vi. Elas não sabem porque existem, mas conhecem o mal que fazem. Corroem pessoas através do tempo. E atacam as almas – e as donas delas se perguntam porque o destino entrou para os fazer penar. Poeiras radioativas choram porque elas incorporaram o lado bom de quem as inventou. Seres humanos na alucinação da criação. Então, tudo se confunde, se mistura – e lá vai ela, a poeira, devastando, sem querer, querendo, chorando, aniquilando, pensando que alguém pode se salvar. De repente o monstro deformado a encara e diz, com a gosma escorrendo, que é assim mesmo, para ela não se lamentar, porque foi deus quem fez o sol, o brilho das estrelas – e tudo mais para Amelinha cantar e depois sumir. Eu vi a poeira sorrir. Mas isso foi antes de ela desaparecer, porque entrou aqui dentro. Daí que não abro mais a boca.

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One thought on “ZÉ DA SILVA

  1. SERGIO SILVESTRE

    Dust in the wind, Eu cumprimento todos os dias a poeira da soleira da minha janela,vai que é um parente meu distante.

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