de Mário Montanha Teixeira Filho
A tarde era comum, burocrática. Um pouco de sol e o vento gelado a acariciar o rosto envelhecido de um homem que caminhava sem destino aparente. A expectativa natural, de falta absoluta de emoção, se desfez quando o velho percebeu lágrimas em seus olhos. Estava triste. Viu, naquele instante, refletida nas portas de vidro dos edifícios que vigiavam seus passos, a sombra de um corpo frágil e derrotado. Tanto tempo para nada, para se transformar num ser fechado em si mesmo, oprimido por seus erros, incapaz de realizar coisas simples e essenciais. Talvez por isso chorasse: pelo amor que se afastava, cansado e cheio de mágoas, pelo carinho que não deu, pelo presente terno e óbvio que escorregou de suas mãos.
Pois é,nos sessentões poderíamos fazer uma mea-culpa por ter falhado nessas 06 décadas por não ter encontrado uma forma de fazer esse “eldorado”um Pais digno para acolher seu povo.
Somos sim ,culpados por isso,e hoje vejo uma legião de velhos carcomidos que continuam com sua estupidez e com seus rompantes de ignorância,mas o que me deixa triste é que os jovens os acompanham com a mesma ignorância herdada.
Senti-me retratado no belo texto, meu estimado Da Montanha.
Grande Montain! Sem choros e sem mágoas! As mudanças tão necessárias devem começar pelos incansáveis sessentōes!! Grande abraço!