9:52NELSON PADRELLA

QUARTEL

Nesta hora da noite
em que até o pão tem um gosto agressivo de cigarro
lembro que um dia disse:
mãe, vou ser soldado.
Minhas botas tem um jeito de espera
e a farda jogada sobre a cama
anula um gesto qualquer de liberdade.
A vida espia nas frestas da parede
e este corpo – velho camarada –
aguarda a ordem de ataque ou fuga
sem ânsia e sem paixão.
Sinto que há tambores silenciosos
e fuzis na noite
que a voz de comando ficou guardada
para um dia melhor.
Minhas botas e a farda esperam
testemunhas pacíficas da luta.
Sinto que há um brilho de ódio
no silêncio das esperas.
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3 thoughts on “NELSON PADRELLA

  1. SERGIO SILVESTRE

    Bem aposentados os filhos e filhas de generais e afins.
    Bem aposentados os desembargadores,procuradores,juízes e afins
    Bem aposentados políticos,amantes de políticos,e toda prole que orbita essa escumalha.
    Bem aposentados os amigos de todos acima citados,suas,seus filhos e até os bastardos.
    Bem aventurado você mais de 90% de pobre que acreditou em todos esses malandros ai de cima.
    Bem aventurado você que abriu mão de sua aposentadoria na terra para recebe-la no céu.

  2. nelson padrella

    Não entendi patavina o que escreveu o amigo Sergio Silvestre. Não sei onde foi catar bem aventuranças para meu poema. “Quartel” foi publicado em 1959 no jornal O Diário do Paraná, muito antes da atual festa bolsonária e muito antes da quartelada de 64. Não tem nada a ver com as benesses. Eu era soldadinho da FAB, todo orgulhoso dentro da minha farda azul. Um inocente soldadinho vestido de azul mas com uma puta visão do futuro hoje presente. Alvíssaras.

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