18:48ZÉ DA SILVA

Não fui até a esquina, mas também nunca voltei. Escrevi a orelha de um livro e comecei dizendo que não tinha lido, mas tinha gostado. O autor sempre me dizia textos e textos como num repente nordestino – era o que me interessava. Mas fui sem ter ido, porque, de repente, me achei um estranho ali naquela casa cujo reboco estava caindo, não havia forro, os cupins comiam a sustentação das telhas – e eu os ouvia como se uma banda de rock pauleira estivesse tocando no banheiro de porta aberta. Havia mais gente naquela casa. Não os reconheci. Tentaram falar comigo. Descobri que não ouvia mais nada. Alguma coisa acontece no meu coração. Era uma música? Fechei os olhos e vi um casal indo, mas estavam parados. Era uma foto, os dois na contraluz. Meus pais, por certo. Que felicidade me encontrar. Levantei e entrei na imagem. Fiquei com eles. Como sempre.

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