18:08ZÉ DA SILVA

O por do sol atrás das silhuetas dos prédios altos no horizonte da cidade é bonito. Mas pra mim isso é uma ilusão. Escurece e o que vejo são vários espectros. Alguns cortam a frente do carro, sem medo da morte. Outros estão debaixo de árvores da grande avenida. Há também os que ficam mocozados na margem do rio fétido. Rostos? Só daqueles que esperam o sinal fechar para pedir uma moeda. Esquálidos, mãos sujas, roupas fedidas que sobram no corpo, olhos injetados. No primeiro plano da visão dos prédios, a favela. Ali está a biqueira, onde brotam as pedras malditas, a da praga que mata aos poucos – e faz matar também, se o pedido for esse do “patrão”. Sinal verde. Para quem? O crack dizima brasileiros em todos os seus municípios. Para quem está dentro, não tem como dizer o Brasil que eles querem. Querem a droga – e ninguém liga porque são ignorantes sobre a doença. Então, cada vez aumenta mais o número de fantasmas, de zumbis, por aí, martirizando principalmente quem esteve perto disso.

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