19:23ZÉ DA SILVA

Quem tirou minhas forças desde ontem? Não foi despacho porque sou cercado pelos sete lados. Alguma coisa acontece – e não é no meu coração. Naquela esquina de Sampa tomei água mas não vi Cauby cantando no Bar Brahma. Ele estava de folga. O que tem a ver com as calças? Não sei, porque ainda me arrasto um pouco e o pensamento é elástico como o das câmeras de pneu de bicicleta que serviam para fazer os estilingues, bodoques, atiradeiras. Uma pedrada no meio da testa talvez me despertasse, mas não gosto de ver sangue dessa maneira. Quando corto sem querer o dedo ao testar o fio da navalha, sim – porque chupo e me vem o vampiro de Dusseldorf e quero ser sombra a aterrorizar quem é mau de verdade. Seria isso? Uma concentração de tanta coisa ruim que vem como avalanche do Everest a todo instante para dentro da taça da minha cabeça? Respirar para sobreviver. Uma chuva maneira cai lá fora e há uma sinfonia no ar. Alguém me chama. A dor nas costas continua. É preciso caminhar.

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