19:04ZÉ DA SILVA

O cabra do carro ao lado baixou o vidro elétrico e perguntou se eu estava doidão. Respondi que não, mas ficava quando ele saía da casa ele e eu entrava. O engomado arregalou os olhos e antes que falasse mais merda lhe apontei a Desert Eagle dourada, calibre .50. Se esticasse mais  o braço poderia enfiar a nasa dele buraco adentro do cano do canhão. O semáforo abriu, o carro ao lado ficou parado, como se estivesse imobilizado feito o fulano. Saí de mansinho com meu Phanton. Santanão Phanton quase placa preta – sem estepe. Então vi uma nuvem em forma de bicho de Deus. Voltei a cantar:  Mãezinha no céu, eu não sei rezar, eu só sei dizer, quero te amar; azul é seu manto, branco é seu véu, mãezinha eu quero te ver lá no céu. Foi isso que fez o maluco perguntar se eu era doidão. Foi isso que o fez conhecer o carimbo do passaporte para o inferno. A vida é emocionante.

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