16:35Socorro

Rogério Distéfano

RESISTI o quanto pude. Caí na esparrela do Facebook. Não que precisasse para fins psicológicos, emocionais, sociais ou profissionais, este último útil na alavancagem de profissões. Tenho os amigos que quero, os que penso que são amigos; no social Mila, a cachorrinha, me basta; no emocional sou imune aos vários matizes do narcisismo que a plataforma estimula nos participantes. Profissão? Sempre fui o diletante que disfarça a imensa mediocridade.

A necessidade da informação, essa sim, levou-me ao Facebook. Pessoas falavam de outras pessoas que teriam dito coisas importantes. Onde? No Facebook. Como ler? Tem que entrar. Mas para entrar tem que se inscrever, pedir amizade. Alguns sites só liberam conteúdo – se alguma vez escrever ‘disponibilizar’ que me desabe um Aurélio sobre a cabeça – via Facebook. Então, como diria o senador do AI-5, “às favas os escrúpulos”, entrei no Facebook.

O Facebook te aceita sem maiores exigências. Não é um desses Countries que requerem indicações, pistolões e o adotam o cerimonial das bolas – brancas para aceitar, negras para rejeitar (tem um advogado bacana conhecido como Doutor Bola Preta, rejeitado no clube). Se arrependimento matasse…, dizia minha avó, a estas horas estaria enfastiado, cansado, sem forças para suprir as 74 virgens do Paraíso. Desde então vivo clandestino, em fuga do Facebook.

A plataforma pratica assédio três vezes ao dia: as ‘notificações’, o mesmo aviso e a mesma relação das pessoas que “você talvez conheça”. Conheço, gosto delas, facebuquistas militantes. Mas nada tenho a lhes dizer e ficaria sem graça com o que me dissessem. Culpa do tal algoritmo, que viaja pela rede a captar tudo em artimanha de Google. Como essa garotinha, doze anos, cuja avó é minha vizinha. Ela quer ser minha amiga no Face. Tenho lá cara de pedófilo?

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