7:00Quem ama o futebol deve curtir a Copa, sem perder a indignação

por Tostão

Estou curioso para ver, nesta quinta (14), a festa de abertura da Copa. Duro será assistir, depois, à Rússia e Arábia Saudita. Vou ter de arrumar tempo para ver quase todos os jogos, além de alguns programas esportivos diários, fazer minhas caminhadas e tantas outras coisas. Estou bem preparado, física e psicologicamente.

Deveremos ver, no Brasil e nas outras grandes seleções, muitos craques e estratégias modernas e eficientes, como atacar e defender com muitos jogadores, deixar poucos espaços entre os setores, alternar a marcação mais à frente e a mais recuada, pressionar a saída de bola desde o goleiro e tantos outros detalhes.

Há dois extremos de comportamentos no Mundial. Há os que tiram férias do trabalho e do(a) namorado(a), que vão ver até Tunísia e Panamá e que defendem a tese de que não existe jogo ruim em Copa do Mundo. Outros que detestam futebol, que pretendem torcer contra o Brasil e que acham uma alienação e um absurdo mudar a rotina do país.

A sociedade brasileira evoluiu. A expectativa inicial, logo após os 7 a 1, era de tragédia esportiva e de aparecimento de vários Barbosas. A tristeza foi passageira, e logo surgiram as brincadeiras. É o que vai ocorrer se o Brasil fracassar neste Mundial. Segundo o Datafolha, 53% dos brasileiros estão indiferentes com a Copa, mais preocupados com a violência, a corrupção e os graves problemas que assolam o país.

Os que amam o futebol e a Copa deveriam curti-la, sem abandonar suas atividades e sem perder a indignação.

A Rússia, como o Brasil, construiu vários elefantes brancos a preços exorbitantes. Por causa do longo tempo de monarquia absolutista e, depois, do período de ditadura comunista, a Rússia ainda não aprendeu a conviver com a democracia, com a liberdade de pensamento. Existe uma perseguição às minorias.

Nas belas imagens mostradas pelas TVs, vejo muito o pôster oficial da Copa, com a foto de Yashin, o maior jogador da história da Rússia e, talvez, o melhor goleiro do mundo de todos os tempos.

Atuei em sua despedida, em Milão, em 1971. Yashin era excepcional e sóbrio no gol. Os grandes talentos, em todas as atividades, são os que tornam simples o que é complexo. Os maiores craques não enrolam com a bola. São concisos, precisos, minimalistas, como era Zé Carlos, companheiro no Cruzeiro nos anos 1960, que faleceu nesta terça.

*Publicado na Folha de S.Paulo

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