9:50PENSANDO BEM…

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ROGÉRIO DISTÉFANO

Petelhos e lulólatras e seu nhem, nhem, nhém contra o juiz Sérgio Moro, que impôs ao messias do ABC a presença em todos os depoimentos das 87 testemunhas que arrolou em sua defesa na Lava Jato. Pimenta no forévis alheio é refresco. Lula fica no bem-bom se fazendo de vítima pelo Brasil enquanto o juiz se esfalfa ouvindo sempre as mesmas mentiras.

Nada mais justo e equilibrado que a presença de Lula. Que, aliás, só arrolou tantas testemunhas para retardar o julgamento. O direito de defesa tem dessas coisas. Embora se saiba que todas as 87 irão dizer coisas iguais – e favoráveis – a Lula, não se pode privar os advogados de sua catimba.

Ou o pessoal continua se achando esperto ou ainda não percebeu que o povo sempre será burro, o que dá no mesmo. O núcleo duro do richismo divulga o vídeo da delação em que o diretor da Odebrecht diz que deu dinheiro a Beto Richa sem esperar contrapartida. Nem vamos cair na tentação da semântica, de que não esperar não significa que nada se receberá em troca. Permitam-me terçar uma lógica prática, nada mais que isso.

Dar é uma coisa, receber é outra, operações da vontade livre dos respectivos agentes. Ou seja, se a Odebrecht deu porque quis não significa que Beto Richa, homem agradecido e educado, não tivesse a tentação de retribuir. Se não houve retribuição – a tal ‘contrapartida’ –, o máximo a que se pode chegar é que Beto Richa não foi nem agradecido nem educado. Coisa que qualquer espírito atento e qualquer intelecto afiado percebe.

O buraco, mais em baixo, está na estratégia sempre igual do richismo, a velha arenga do não sei, não vi, não conheço, se tem parentesco, é muito distante. A questão é bem outra: que diferença faz a contrapartida? Lembra o caso da mulher flagrada na cama com o cara feio, peludo, gordo e careca, ambos pelados. Só lhe apareceu um argumento, para ela o melhor: gritava, “foi por dinheiro, foi por dinheiro”. Isso sim é contrapartida. Mas o cara continua gordo, feio, careca e peludo.

A Amante chamou o Italiano e pediu uma grana para o Parente, que saía em férias com a família. Até não teria problema, mas a operação já estava estruturada para atender o Dentuço. Problema não era só o Dentuço. O Grosseiro não parava de xingar e pedir mais. Queria aqui adaptar a Quadrilha, de Drummond. Acontece que os outros caras têm mais imaginação.

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