19:01Pensando bem…

Rogério Distéfano

Um homem transparente

RODRIGO MAIA, presidente da câmara federal, declara que não poderia criar dificuldades à votação da licença para processar Michel Temer. Seria comprometer sua biografia, alega em defesa. Na primeira leitura parece que dá um tapa de luva em Michel Temer, que fez exatamente o que Maia não quis fazer – criar dificuldades contra Dilma, de quem era vice – e com o resultado que o presidente da câmara não pretendeu – comprometer a própria biografia.

Importa a segunda leitura, que poucos, pouquíssimos, farão, o cuidado com a biografia. O que se pode extrair do recato de Rodrigo Maia com a biografia? Ele quer se poupar para o futuro, com as promessas que a juventude e a experiência oferecem. Em outras palavras, poderia criar as dificuldades para sair-se como o eventual salvador, provável presidente para concluir o mandato de Dilma/Temer. Rodrigo optou pela alternativa: criou as facilidades, salvou Temer. Força do hábito.

A sinceridade do presidente da câmara é de uma tocante singeleza: ele se preocupa com a biografia, história de vida, currículo profissional que lhe abre oportunidades na carreira. Nada disse sobre o que acredita ou o que, como homem público, considerava o melhor para o país. Podia ter dito, sem desdouro ou má vontade da nação, pois tem direito a pensar e agir como quiser. Mas preferiu o registro da lealdade a Michel Temer. Isso conta na biografia.

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