10:25PARA NUNCA ESQUECER

Diego Maradona nasceu no dia 30 de outubro de 1960

Maradona é Maradona. Gênio da bola e sobrevivente. Passional, radical e imortal. Não é melhor, nem pior que ninguém. É. Canhotinha mágica a iluminar para sempre a alma dos apaixonados pelo futebol. Protagonista de uma cena que eternizou para sempre um encontro emocionante: no palco de uma tv, ele e Pelé trocando passes de cabeça. Ali, não havia disputa, porque eles sabem que isso não existe. Ali, era a bola obedecendo a dois deuses dos estádios. E nós dissemos amém. http://www.youtube.com/watch?v=JeY4sJTlnhU&feature=related

Da Folha de São Paulo, em texto de Juan Pablo Varsky

Diego Armando Maradona, gigante do futebol, completa 50 anos hoje

Quanto o conheci, eu tinha oito anos e estava na terceira série. Convidado pelo diretor de minha escola primária, surpreendeu-nos a todos com uma visita.

Transcorria o ano de 1979. Ele ainda não havia disputado o Mundial Juvenil do Japão, no qual se consagrou pela primeira vez. Tinha cara de adolescente e cabelo bem curto, digno de um recruta no serviço militar.

Tirei uma foto ao seu lado, dei-lhe um beijo e, de presente, um desenho no qual eu havia tentado retratar seu primeiro gol oficial com a seleção profissional, diante da Escócia, em Hampden Park.

Chorei quando ele foi expulso contra o Brasil na Copa da Espanha, em 1982, seu primeiro fracasso. Chorei com seu gol contra os ingleses e com a Copa extraordinária que disputou no México, em 1986, sua chegada ao Olimpo futebolístico.

Festejei sua vendeta diante dos italianos na Copa de 1990. Xinguei com ele quando o hino argentino foi apupado antes da final contra a Alemanha.

Em 1993, fiz com ele minha primeira entrevista, no longo voo para a Austrália que marcava sua volta à seleção para disputar, na repescagem, uma vaga na Copa-1994.

Minhas pernas tremiam. Foi muito difícil quebrar o feitiço, humanizá-lo. Custava-me presumir que ele não era Deus. Nem mesmo em campo, com seu desempenho cada vez pior. Suas contradições começaram a me incomodar, assim como sua necessidade de opinar sobre tudo e todos, recaindo inevitavelmente na agressão. Sentia tristeza ao vê-lo mal, desalinhado, doente.

Na França, em 1998, trabalhamos para um canal de TV,em que comentamos juntos a partida entre Argentina e Holanda. Também estivemos juntos na decisão da Libertadores entre Palmeiras e Boca Juniors, em 2000, quando fui testemunha privilegiada de um belo abraço entre ele e Roberto Rivellino.

Suas internações me aproximaram daquilo que ele tem de virtuoso, algo que até mesmo seus maiores detratores reconhecem.

Depois da dor, o alívio. Tomei parte na “Noche del Diez”, o programa de 2005 que celebrava sua milagrosa recuperação após flertar com a morte. As palavras dele já não me interessavam tanto. Meu interesse era sua saúde.

Alegrei-me quando chegou à seleção argentina em 2008. Mas o rendimento da equipe me incomodava. A entrevista coletiva pornográfica em Montevidéu me irritou. Depois da esperança inicial, não consegui acreditar que ele tivesse armado um esquema tão ruim para o jogo contra a Alemanha.

Surpreende-me uma vez mais vê-lo inteiro e firme. Sua presença no velório do ex-presidente Néstor Kirchner, abraçando a presidente Cristina, me emocionou. Hoje ele faz 50 anos. Aos 40, retorno àquela foto de 1979. Tão presente em toda a minha vida, nunca, mas nunca mesmo, deixarei de amar Diego Armando Maradona.

5 ideias sobre “PARA NUNCA ESQUECER

  1. CHC

    História real: No Rio de Janeiro Maradona num condomínio de luxo dava festas intermináveis, sua vizinhança não aguentava mais o barulho e a algazara.
    Os moradores se reuniram e foram ofecerecer a compra do imóvel de Dieguito.
    Ele disse: – Vou pensar, falamos amanhã.
    No dia seguinte os moradores voltaram e ele: – Tenho uma outra oferta para vocês. E os moradores: – qual? e Dieguito: – Eu compro todos os apartamentos !
    - Eles foram embora, sem falar uma só palavra.

  2. Michel Deolindo

    Como amante do futebol, tive o privilégio de ver os dois jogarem -Pelé e Maradona. Recentemente fui na Argentina, visitei a La Bombonera entrei inclusive nos vestiarios – tem uma estátua do Maradona e uma série de fotos na entrada do meseu do Boca , videos e várias coisas que lembrarm sua história no Boca Juniors. Tem também uma camisa do Pelé de uma memorável vitória do Santos dentro da Bombonera contra o Boca quando o Santos ganhou uma Copa Libertadores com uma atuação magistral do Pelé. Existem coisas que não concordo como afirmar “se Pelé é o rei do Futebol, Maradona é o Deus”, coisas tipicas da soberba e da autoconfiança dos argentinos em relação ao Brasil, e do seu ar de superioridade. Diego Maradona foi um grande jogador, um dos melhores como tantos outros (Didi, Mané Garrincha, Tostão, Rivelino, Di Stefano. Beckenbauer, Romário, Ronaldo, Platini, Messi e tantos outros) Essa é a magia do futebol.

  3. Jango

    Michel Deolindo, concordo com você.

    Ano passado voltei a Buenos Aires e quando retornava a pé por uma pracinha perto da Bombonera um argentino sentado num banco perguntou-me: Pelé ou Maradona ? Respondi-lhe: Garrincha, que nos deu a Copa de 1962 no Chile. Ele ficou quieto e pensativo.

    Esse tipo de comparação é assunto medíocre, como medíocre é o tipo de revanchismo e gozação entre argentinos e brasileiros sobre futebol se estendendo a outros campos. A grande verdade é que são duas escolas fabulosas de futebol que já tiveram dias melhores. Talvez porisso não tenham os chamados boleiros e alguns jornalistas outro assunto do que falar do passado.

    Mas registre-se, Orlando Peçanha, extraordinário medio da selação brasileira campeã em 1958 foi jogador e capitão do Boca Juniors ! E outros exemplos poderiam ser dados. Então, os jogadores se respeitam mais que essas duas personalidades que jogando foram perfeitos mas falando são lastimáveis. Mas os boleiros, jornalistas e comentaristas medíocres se fixam nessa idiota comparação.

    E digo mais: dizer que só Pelé foi o melhor é injusto, outros países tiveram jogadores excepcionais. O futebol não nasceu com Pelé nem terminou com ele. Nem ele foi tudo, embora tenha sido talvez o melhor.

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