14:27O que nos espera em 2019?

por Célio Heitor Guimarães

Retomando o tema da semana passada, o eleitor brasileiro sabe votar? Está aprendendo. Mas ainda falta muito. As opções que deixou para o segundo turno das eleições presidenciais é a grande prova. Bolsonaro e Haddad. Poderia haver oferta pior? Claro que não. Qualquer um dos candidatos derrotados seria melhor. Ciro, Alckmin, Marina, Álvaro, Meirelles e até Boulos. Entre Bolsonaro e Haddad quem seria o menos pior? Haddad, sem dúvida, não fosse a horda de malfeitores que traz na retaguarda, a partir do prisioneiro de Santa Cândida.

A julgar pelo caminhar da carruagem, o capitão aposentado levará o pleito de goleada. E o Brasil vai arrepender-se amargamente. Lamento, amigos Rui, Diniz, Benedito, Felipe, Renato e tantos outros cultores do ex-homem da farda, mas vocês desgraçadamente vão ver.

Aliás, esse será um filme que já vimos, um misto de drama, tragédia e horror, de longa duração e difícil, muito difícil, final. Tem muito sofrimento na tela, muita lágrima derramada e muita morte absurda. Sinceramente, nunca pensei que voltasse ao cartaz.

Nos idos de 1964 foi mais ou menos assim. Decepcionada, irritada e assustada com o governo, a população foi às ruas. Marchou com Deus pela Liberdade contra a corrupção e os comunistas e aplaudiu os soldados que deixaram os quartéis para assumir o poder. Era para ser coisa passageira, apenas para a faxina. Durou 21 anos e não deixou nenhuma saudade. Como pode ser esquecida tão pouco tempo depois? Só Deus sabe. Deus não; o Diabo.

Quem é Jair Messias Bolsonaro? Segundo o (ou a?) Wikipédia, é um militar que passou para reserva em 1988, no posto de capitão, nascido no município paulista de Glicério, em 21 de março de 1955. Formou-se na Academia Militar de Agulhas Negras em 1977, onde serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo. É deputado federal desde 1991, atualmente no sétimo mandato, eleito pelo Partido Progressista de Paulo Malluf e outras figurinhas do mesmo naipe da política brasileira. Hoje, é filiado ao Partido Social Liberal (PSL). Durante os seus 27 anos como congressista, ficou conhecido pela personalidade controversa, visão política populista, de extrema direita, com simpatia pela ditadura militar e por práticas de tortura.

Alguma atuação na Câmara dos Deputados em favor da população ou de seus eleitores? Nenhuma. Projetos de governo? Nenhum. É vazio de conteúdo, não sabe bem o que fará na chefia da nação, mas quer chegar lá. Não sabe nada de administração pública, não entende nem quer entender de economia. Entregou tudo a Paulo Guedes, fundador do Banco Pactual, que ganhou notoriedade quando pagou a lua-de-mel de Aécio Neves e teve o seu então presidente executivo André Esteves preso em 2015 pela Polícia Federal.

Bolsonaro é contra a corrupção?! Eu também sou, mas nem por isso pretendo ser presidente da República. Vai combater a violência reinante no país? Vai coisa nenhuma. Combater a violência com violência só gera mais violência. Na política do bate a arrebenta, acabamos todos machucados. Redução da carga tributária? Farsa. Não há governo que queira reduzir tributos. Ao contrário, está sempre a cata de novos. Guedes já sinalizou com a volta da maldita CPMF, declarou-se contrário aos reajustes automáticos de salários e favorável à privatização de estatais como a Petrobras.

Por que Bolsonaro não comparece a debates? Porque não é bobo. Sabe que não tem o que dizer e que qualquer bobagem pronunciada poderá por tudo a perder. Ganha com o silêncio, pois já tem um eleitorado adestrado pronto para elegê-lo.

E, como bem disse o jornalista Sérgio Rodrigues, o ódio tem tudo para ser a palavra-chave da futura administração Bolsonaro. Aliás, encontra-se presente, desde já, na equipe eleitoral do capitão e naqueles que pregam a sua vitória. Se isso é necessário para combater “o que está aí”, estamos fritos. Ou, por outra, como se dizia outrora, pularemos da frigideira de óleo fervente para o fogo.

De salvadores da pátria, aliás, temos exemplo mais recente. Aquella figura de olhos esbugalhados, que veio das Alagoas para combater os marajás, moralizar o país, confiscar a poupança popular e encher as burras com o dinheiro público.

Ah, sim, antes que me esqueça: no tempo do governo dos generais, havia corrupção sim. Muita. Velada, sem o conhecimento da opinião pública, já que a imprensa era proibida de divulgar e o Judiciário sob controle. Os homens de coturno não precisavam de esquemas para se manter no poder. Julgavam-se intangíveis. Então, preferiam abarrotar as estatais com militares da reserva e proteger o Brasil e os brasileiros dos perigos da liberdade e da democracia. Tudo como o capitão da reserva parece querer voltar a fazer…

4 ideias sobre “O que nos espera em 2019?

  1. A verdade está lá fora

    Os militares não deixaram saudades, só obras. Você está escrevendo é porque Itaipu foi feita no governo deles, fosse na era do PT ela seria construída entre a Argentina e o Paraguai.
    Veja no site do Kanitz sobre porque os militares são mal vistos: Roberto Campos na reforma tributária de 64 tirou a imunidade fiscal de: professores, jornalistas, editores que estavam sem pagar impostos graças ao Getúlio Vargas.
    O GV era muito esperto criou o imposto sindical e isentou professores e jornalista para ter algo em troca. A conferir http://blog.kanitz.com.br/erro-ditadura-militar/
    Por isto o pessoal tem raiva dos militares.

  2. sergio

    Quer se mandado pelo sapo barbudo presidiário, faz o favor de não escrever besteiras, comunadas enrusdidas, que venham ordem e progresso, livre mercado livre iniciativa, trabalho, mais trabalho, menos estado, menos muito menos, equerdopatas nunca mais, Brasil acima de tudo, DEUS acima de todos.

  3. juarez

    Verdade, não lembro de ter lido nesses dias que antecedem o pleito eleitoral, um texto com tanta bobagem. Só asneiras, nada se aproveita. Perdi meu tempo!!
    Quem vive de passado é museu !
    Quem vive no passado morre para o futuro (Ana Carolina).

  4. Altevir Roberto Cecatto

    Tenho visto muitos escreverem besteiras em vários blogs do pais, Sr Célio o senhor que não conheço ganhou o premio. Meu caro não esta satisfeito com no Brasil e seu próximo Presidente compre uma passagem só de ida para a Venezuela e pare de escrever besteira.

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