8:01O “apagamento” no julgamento

Na esteira do julgamento do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho a revelação de que sua confissão de “amnésia” na hora do acidente pesou contra ele no julgamento. “Do ponto de vista jurídico, não pode ser considerada confissão se a pessoa não tem conhecimento do que aconteceu no momento dos fatos – no caso, da colisão, e não pode detalhar quais foram as suas atitudes. Assim, para o juiz, não foi computado o atenuante na pena. Se a confissão fosse considerada, Carli Filho poderia ter uma redução aproximada de 1/6 na pena”, informa a repórter Katia Brembatt na Gazetona. Para quem conhece os efeitos do abuso de ingestão de bebida alcoólica, como é o caso do signatário (que não bebe há 27 anos), o “apagamento” acontece com frequência. Qualquer médico especialista no assunto pode atestar. A pessoa acorda no dia seguinte e não sabe como chegou em casa – tem lembrança, às vezes, de qual foi o último bar ou local que estava. É o que pode ter acontecido a Carli Filho, segundo o relato do próprio. Isso não o exime da culpa pela morte dos jovens, porque ao beber, ele tem consciência do que está fazendo e do que pode acontecer. No dele, aconteceu. No do signatário, a única pessoa machucada durante todo o período do uso e abuso do álcool foi o próprio, ao destruir um carro num poste. Sorte? Pode ser. O ex-deputado não teve isso – e muito menos as vítimas.

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