8:38Extirpações, demos e piás de prédio

Osmar e José Richa, na década de 80: foi o pai de Beto quem começou a carreira política do pedetista
Foto: arquivo da Gazeta do Povo

por André Gonçalves, no blog “Conexão Brasília“, do site da RPC

Em 1978, Lula fez panfletagem na porta da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, para apresentar aos companheiros um jovem sociólogo que concorria a senador, Fernando Henrique Cardoso. Hoje luta pessoalmente para varrer a oposição do mapa, incluindo o PSDB de FHC, que contra-ataca chamando o petista de chefe de facção.

Em 2004, Osmar Dias (PDT) pediu votos a Beto Richa (PSDB) na reeleição para a prefeitura de Curitiba definindo-o como “trabalhador”. Hoje diz que o tucano não possui nenhum registro na carteira de trabalho e, ao mesmo tempo, recebe críticas de Beto por ter tentado extinguir a multa do FGTS no Senado.

Entre extirpações, facções e piás de prédio, há algo claro nesta eleição – há tão pouca ideologia em jogo que os políticos são obrigados a apelar para mostrar alguma diferenciação. E se é um equívoco tratar direita e esquerda com o simplismo da guerra fria, também é ruim não perceber o que pensa (ou deveria pensar) cada partido e candidato.

Apesar de apenas o PSDB ser social-democrata até no nome, a maioria das legendas brasileiras virou commodity da social-democracia, como PDT e PT. Ninguém ousa admitir-se de direita, nem no mínimo centro-direita. Preferem fingir o que não são e, nesse caso, fazem por merecer a troça do verdadeiro pessoal da esquerda.

Genealogicamente, o Partido Progressista (PP) e o Democratas (DEM) são os herdeiros da direita. O PP de Paulo Maluf tem o mais nítido DNA do PDS, da velha Arena. Passou uma borracha no passado e hoje integra a base governista – é inclusive contemplado com um dos ministérios mais cobiçados da Esplanada, o das Cidades.

Já o DEM, esse é um caso sério. O antigo PFL nasceu do racha para garantir a eleição de Tancredo Neves, em 1985, e teve aí seu único momento de glória. Cresceu como legenda oligárquica conservadora e caiu na medida em que seus medalhões foram se retirando de cena e tentando emplacar na marra seus próprios herdeiros – Bornhausens, Maias, Magalhães.

Hoje, eles até falam de livre iniciativa e direito à propriedade, mas se embananam ao defender reformas liberalizantes para saúde, educação e segurança pública. Não que o Brasil precise adotar agora esse caminho, mas é ruim para o debate democrático que ninguém apresente um pensamento divergente. Parece blá-blá-blá, mas surte efeito.

Grande parte do ódio que Lula destila pelo DEM nasceu na derrota que o partido ajudou a impingir ao governo na derrubada da CPMF, em 2007. Está aí uma questão ideológica clássica. O Estado precisa arrecadar mais para promover distribuição de renda ou é melhor para a população que o dinheiro circule por conta própria, gerando consumo e empregos?

O cavalo passou encilhado, o DEM até subiu em cima, mas capotou na primeira curva, quer dizer, mensalão, que teve pela frente. Lula fala em extirpá-lo, mas na verdade é o próprio partido quem faz esforço para ser extinto. Como reação, limita-se a insinuar que o presidente precisa maneirar no álcool, como disse Jorge Bornhausen.

Com um confronto de ideias de “alto nível”, seja em Brasília ou no Paraná, onde Beto e Osmar de tão próximos sabem o que o outro tem registrado nos documentos pessoais, fica difícil saber quem é quem. Por isso a tentativa de resumir tudo a uma história entre mocinhos e bandidos, um jogo ingrato especialmente para a oposição. E como Lula transformou-se quase um santo, ele próprio define quem são os demos.

6 ideias sobre “Extirpações, demos e piás de prédio

  1. Marcelo Santos

    “… No Paraná, a onda vermelha já proporcionou uma grande virada. As últimas pesquisas mostram que o tucano Beto Richa, antes favorito ao governo, perdeu o primeiro lugar para Osmar Dias (PDT). Reviravoltas também têm ocorrido na disputa para o Senado”. Revista ISTO É N° Edição: 2133 | 24.Set.10 – 21:00

  2. André Gonçalves

    Grande Zé, obrigado de novo pela consideração. Boa sorte para todos nós até as eleições (e de novo depois delas). Abraço!

  3. maringá

    Na verdade, os dois candidatos mais fortes estão muito aquém do que o Paraná merece. Osmar, mais preparado, está muito mal acompanhado e elogiando desmedidamente quem não merece.

  4. jobalo

    Pra quem não tem boa memória,o osmar dias ,foi convidado, pelo zé richa, então governaddor, para assumir a cafe do paraná 9HOJE EXTINTA , INCORPORADA NA CODAPAR), ESTE CONVITE FOI FEITTO APOS CINCO PESSOAS NÃO ACEITAR O DESAFIO, POIS A MESMA ESTAVA FALIDA, EM INSOLVENCIA, E O OSMAR ACEITOU COMM A SEGUINTE CONDIÇÃAO, : NNINGUEM PODDIA DAR PALPITE, . QUER SABER O RESULTADDO: EM MENOS DE TRES ANOS A EMPRESA JÁ CONTABILIZAVA MAIS DE 100 MILHÕES EM CAIXA, DAI O PROXIMO GOVERNO FOI O ALVARO, E O OSMAR FOI SECRETARIO DE AGRICULTURA.

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