6:03Calcinhas roubadas

História curitibana do tempo em que não existia o calçadão da XV, que virou praga nacional depois de inaugurado aqui. A mulher do desembargador foi prestar queixa na delegacia de furtos e roubos. Tinham entrado na casa dela, no bairro chique, através de arrombamento, e roubado objetos de valor. O delegado, distinto, chamou o mais experiente dos detetives, um ogro. Recomendou que, na investigação, o policial deveria se conter nos palavrões – porque o tira falava na mesma proporção que respirava. Houve a promessa. Ao entrar na mansão, o investigador viu por onde o ladrão entrou e, no quarto do casal, abriu uma das gavetas da cômoda, tirou dali algumas calcinhas da madame, que imediatamente cheirava de forma natural, como se estivesse tomando um copo d’água. Ela arregalou os olhos. Ele, então, perguntou: “Levaram algumas?”. A madame saiu do estado catatônico e conseguiu responder que sim. Iluminado, o investigador deu logo o veredito: “Foi a Maria-Cabaço”. A primeira-dama do desembargador deve estar em estado de choque até hoje, se viva for. Maria-Cabaço era uma conhecida ladra da capital provinciana que tinha este costume quando atuava em casas onde havia representante do sexo feminino.

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